SÃO PAULO
- A união entre Itaú e Unibanco deverá gerar um lucro
adicional de R$ 142 milhões na nova instituição financeira,
segundo estimativa feita pelos dois bancos e apresentada
ontem em teleconferência a analistas. "É uma situação em que
há um resultado positivo no lucro por ação já no curto
prazo", afirmou Alfredo Setubal, diretor de Relações com
Investidores do Itaú.Os dados apresentados consideram,
com base nos dados da First Call, que individualmente o Itaú
terá um lucro de R$ 8,23 bilhões e o Unibanco, de R$ 3,07
bilhões, totalizando R$ 11,40 bilhões, com lucros por ação
de, respectivamente, R$ 2,82, R$ 1,13 e as duas juntas de R$
2,79. No entanto, a sinergia adicional projetada de R$ 142
milhões fará com que o lucro de Itaú Unibanco Holding fique
em R$ 11,55 bilhões, o que representa um lucro por ação de
R$ 2,82.
Apesar desse número, o presidente do Itaú e futuro
diretor-presidente da nova instituição, Roberto Setubal,
afirmou que não foram feitas as contas sobre as sinergias
possíveis. "É um processo lento. Um processo complexo que
queremos fazer com cuidado. Não estamos com pressa em
realizar sinergias", disse.
Entre as sinergias possíveis ele citou a possibilidade de
ganhos com a venda de produtos e redução de custos na área
de informática, com uma otimização das despesas em
processamento de dados e compras de sistemas. O executivo
acredita que a autorização para a união de Itaú e Unibanco
será feita em até quatro meses, prazo em que foi concluído o
processo envolvendo o Bank Boston, comprado pelo Itaú em
2006.
Para Setubal, como as duas instituições envolvidas são
brasileiras a aprovação deve levar menos tempo. Na última
segunda-feira, o Conselho de Administração do Itaú aprovou a
proposta de união, que será levada à assembléia de
acionistas até a primeira semana de dezembro. O conselho do
Unibanco também deverá aprovar essa proposta e encaminhar
para a assembléia.
Segundo Pedro Moreira Salles, presidente da instituição,
isso deverá ocorrer nas próximas semanas. Aprovada nas
assembléias de acionistas, a proposta de união será
encaminhada ao Banco Central, que irá autorizar o
funcionamento dessa nova holding.
Controle compartilhado
Em teleconferência, os dois executivos defenderam que o
controle da holding será compartilhado e a Itaúsa, que terá
maior número de ações ordinárias que a família Moreira
Salles, votará sempre em consenso com a IU Participações. A
IU Participações terá o controle compartilhado entre os
Moreira Salles e a Itaúsa, cada um com 50% das ordinárias e
Itaúsa com 100% das preferenciais.
Essa empresa terá 51% das ações ordinárias de Itaú
Unibanco Holding. Já a Itaúsa terá 36% das ONs da holding e
o Bank of America 2,5% das ONs e 8,5% das preferências da
holding. O restante dos papéis da holding ficará na mão do
mercado (10,5% das ONs e 91,5% das PNs).
Para que essa relação seja possível, a Itaú Unibanco
Holding irá emitir 1,12 milhão de ações (ordinárias e
preferenciais) que ficarão com os acionistas de Unibanco, em
substituição dos papéis atuais que estão em circulação no
mercado hoje. Segundo Setubal, a relação de troca inclui
cerca de R$ 27 bilhões de prêmio aos controladores pelo
Unibanco, mas esse valor está incluso nessas ações que serão
emitidas.
Mais