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“Um professor que ensina cantando e encantando seus
alunos”
Chegamos à data limite para que toda
escola pública e privada do Brasil faça a inclusão do ensino
da música no currículo. A lei nº 11.769, sancionada em 18 de
agosto de 2008 determina que a música seja obrigatória na
Educação Básica. Em Guaratinguetá conhecemos o professor
Bruno da EMEF Maria Aparecida Broca Meirelles que há anos
vem trabalhando a música com seus alunos e isto vem fazendo
a diferença na Educação.
Embora seja difícil trabalhar a
música de forma interdisciplinar e multidisciplinar, para o
professor Bruno isto se torna fácil, pois sua criatividade
músico-pedagógico vem sensibilizando uma integração amistosa
e inteligente entre alunos e professores. O objetivo do
professor Bruno não é formar músicos, mas sim desenvolver a
criatividade, a socialização e a sensibilidade dos alunos.
Vamos conhecer um pouco do brilhante
trabalho norteado na música que o professor Bruno vem
desenvolvendo em sala de aula na Escola Broca Meirelles em
Guaratinguetá. Aqui a entrevista.
Onde você nasceu e há quanto
tempo está em Guaratinguetá? -Nasci e fui criado na
nobre Terra das Garças Brancas, Guaratinguetá-SP. Gostaria
de salientar minha alegria em poder partilhar com vocês um
pouquinho daquilo que faço.
Como nasceu esta vontade de
cantar? - Música nos muda... Torna-nos críticos,
calados, falantes. Música transforma introvertidos em
extrovertidos. A música é simplesmente tudo e mais um
pouco... A música acontece... Nasce... Acaba jamais! Música
é simplesmente MÚSICA. Dizer que tenho 23 anos e que já
canto há 17 é bem engraçado. Quando as pessoas me perguntam,
ficam surpresas e até exclamam: ”Nossa! Você quase nasceu
cantando!” Na verdade tudo começou no trabalho dentro da
igreja. Mesmo com pouca idade, participei de vários
movimentos os quais alguns estiveram sob minha coordenação.
Nunca havia tido vontade de cantar, mas uma situação muito
inusitada fez essa vertente musical aflorar em mim.
Como foi a sua primeira
apresentação musical? - Como mencionei, minha atividade
religiosa era bastante ativa e no intervalo de uma das
diversas reuniões que tínhamos, eu e alguns “coleguinhas“
começamos a cantar e, de longe, nossa coordenadora, que
havia se ausentado, voltou dizendo que formávamos um belo
coral de crianças.
Num instinto de liderança não pensei
duas vezes: marquei para o dia seguinte o primeiro ensaio e
por aí foi. A primeira celebração que cantamos foi,
coincidentemente, da formatura dos alunos da 4ª série da
escola que hoje trabalho!Tenho que dizer que foi um
“fiasco”, mas estávamos lá, firmes em nosso propósito (fui
tomado por risos, fazendo memória desse acontecimento).
Como a vida é um constante
aprendizado e eu não queria tornar aquilo algo efêmero,
coisa de empolgação entre amigos, fui buscar instruções mais
técnicas. Já dizia o admirável Milton Nascimento: ”Solto a
voz nas estradas, já não quero parar...”
Tenho que registrar que em minha
família em sua totalidade, é musical!Cada um em um ramo da
música, mas não há exceção na intimidade musical e, por esse
motivo, consegui, por intermédio de tios e primos, ingressar
em estudo de técnica vocal. Estudei por seis anos e já vivi
momentos musicais muito significativos os quais ficarão
registrados em minha memória, como diversos casamentos,
programas de televisão, reality shows musicais e até missa
de corpo presente, velórios, cortejo de sepultamento... Como
diz o cantor e compositor Maninho: ”Momentos sempre ficam na
memória de quem vive assim...”
Cantar para os alunos pode
melhorar a arte de ensinar? Qual sua explicação sobre isso?
- “A música é uma força geradora de vida, uma energia
que envolve o nosso ser inteiro, atuando de forma poderosa
sobre o nosso corpo, mente e coração. Além de alegrar, unir
e congregar mensagens e valores, disciplinares e socializar,
a música forma o caráter e favorece o desenvolvimento
integral da personalidade, o equilíbrio emocional e social”
(Profª, compositora e regente Míria Therezinha Kolling).
Parto das palavras de uma regente
que admiro intensamente, para fazer minhas colocações, Nessa
caminhada de professor-músico ou músico-professor, percebo
que a música na educação é, sem dúvida, um fazer artístico.
Os ganhos que a prática musical proporciona no processo de
aprendizagem e para a vida, de forma geral, são
valiosíssimos. Busco inserir em minha prática pedagógica
essa realidade musical que é sempre muito bem vinda e muito
agradável aos alunos.
Em meio às muitas leituras que faço
com relação à música tanto na educação quanto em sua
generalidade, conclui que a música tem inúmeros benefícios:
ajuda a afinar a sensibilidade das pessoas, desenvolve o
raciocínio lógico-matemático, aumenta a capacidade de
concentração e a memória, além de ser forte desencadeadora
de emoções.
Esses aspectos agregados ao processo
de ensino-aprendizagem são sem dúvida, mais do que
produtivos, muito do que precisamos para fazer o aluno dar
grandes saltos em seu desenvolvimento. Engraçado que meus
alunos, por saberem que sou músico, se envolvem demais e se
tornam músicos também. Cantam sempre, cantam muito, cantam
sozinhos ou comigo; cantam, encantam e aprendem... Cantando!
Em todos os momentos de minha vida profissional ou pessoal,
faço ecoar os versos imortais de Gonzaguinha: ”Cantar e
cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz”. Canto
com os alunos e para os alunos. O ambiente musical favorece
a aprendizagem e a leitura do mundo.
Cantar ou ensinar, o que é mais
fácil? - Minha maior dificuldade é cantar ensinando
(risos)! Na verdade, canto muito, canto sempre, minha mãe às
vezes pede que eu silencie um pouco, que poupe a voz; é
muito interessante, algo que me envolve integralmente!Em
sala de aula não é muito diferente: ando pela classe
cantarolando, faço correção de cadernos emitindo alguns
versos musicais que gosto e o mais curioso, mas que motiva
os alunos é o fato de eu inserir melodia nas matérias que
estudamos.
Para todos os conteúdos há uma
melodia. Eles adoram!De início riem um pouco por, talvez,
acharem estranho, mas logo aprendem e, com isso, vem à
assimilação. Todas as vezes que converso com as crianças
eles logo perguntam: “Tem música hoje, tio?” Muito
significativo e relevante essa realidade.
Poderia dar uma palavra de apoio
aos professores? - Uma das definições de música é que
ela é a arte de combinar os sons. A música altera nosso
estado de espírito. O corpo reage às vibrações dos sons, são
despertadas emoções que interferem no funcionamento de nosso
organismo. Através da música as emoções são deflagradas.
Creio que a música seja a melodia da alma.
Deixo aos colegas a certeza de que o
trabalho musical é fonte riquíssima para a aquisição do
conhecimento. Pelas experiências que já tive com a
musicalidade em sala de aula afirmo com toda a certeza que a
vivência musical faz parte do dia-a-dia do ser humano e é
muito salutar para o desenvolvimento de trabalhos grupais e
que a aprendizagem musical abre portas para outras
informações. Que consigamos desenvolver a aprendizagem de
nossos alunos através da sensibilidade a ambientes sonoros e
fazer com que alcancem a criticidade e a paixão por
aprender.
E por falar em aprender, a música
traz inspiração e muitos ensinamentos e, por isso, dedico
estas palavras a um amigo especial, que se identifica com
minha musicalidade e me dá a oportunidade de ser seu
parceiro na busca do conhecimento e desenvolvimento musical:
Eduardo Teixeira. Obrigado, amigo, pela confiança que
deposita nas instruções que te ofereço e pela determinação a
buscar o aperfeiçoamento vocal. Também à minha namorada,
Luana Barbosa, que me torna mais apaixonado por música,
quando me ponho a admirar sua bela voz.
Deixo a vocês algo que norteia minha
vida de músico-professor, tão agitada, tão corrida e tão
cheia de coisas a aprender, claro, que segundo a voz do
mestre Djavan, na composição de Luís Carlos Sá e Sérgio
Magrão; “A vida me fez assim, doce ou atroz, manso ou feroz.
Eu, caçador de mim”.

Delamare MC Filho
é
professor especialista em Educação de cegos na rede
municipal de Guaratinguetá SP.-
delbrocameirelles@gmail.com
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