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Bassi, 78, nasceu em Marília, SP, onde permaneceu até 1950
quando saiu para estudar física na Universidade de São
Paulo. Ainda estudante, em 1952, foi convidado para dar
aulas no recém fundado ITA; aceitou e veio para São José dos
Campos onde reside. Entre as idéias que defende está a
criação de uma Universidade Federal para o Vale do Paraíba.
Professor Darwin como era o ITA naquele tempo?
– O Instituto tinha dois anos, se dava muita
importância ao ensino, para cada grupo de oito alunos havia
um professor no laboratório. Um professor da USP me
recomendou e, com alguns colegas, fomos contratados ainda no
segundo ano da faculdade. O ITA me deu liberdade para
lecionar e terminar o curso dois anos depois. Casei-me com
uma professora da USP e ela veio também para cá. A minha
carreira foi feita
lecionando no ITA. Fiz mestrado nos Estados Unidos durante
dois anos, ao voltar, em 1972, fiz doutorado na USP.
Como era São José dos Campos?
– Era uma cidade pequena com muitos sanatórios, a gente ia
de bicicleta para o centro, e se recomendava aos alunos para
não tomar nem café nos bares, era o medo da tuberculose.
O começo do ITA.
– Ele foi criado diferente das instituições superiores do
Brasil, onde o professor tomava conta de uma cadeira, virava
catedrático e ficava até se aposentar ou morrer. Era
comum arrumar a nomeação do filho ou do genro para o lugar. No
ITA nunca foi assim, seguimos o padrão americano com vários
professores titulares da mesma matéria; - foi o início de uma
nova carreira universitária no Brasil.
Meu chefe de departamento era o Professor Paulus Aulus
Pompéia, depois o Professor Richard Robert Wallauschek,
um grande mestre que morreu num acidente na via Dutra. O
Professor Crispim estava lá e também os professores Rebello,
Gaspar Ricardo, grandes nomes nacionais que faziam do
ITA uma escola de alto padrão, como é até hoje, basta
ver os 7.100 candidatos para 120 vagas neste vestibular.
Até quando ficou no ITA?
– Me aposentei em 1994. Durante esse período, também fui
diretor, em 1976, da Faculdade de Engenharia de
Guaratinguetá. A Reitoria do ITA permitia que déssemos aulas à noite
em outras escolas, foi quando a UNESP foi criada, pois, antes eram
apenas institutos isolados por todo o Estado. O primeiro
reitor da Universidade Estadual Paulista foi o Professor
Luiz Martins, fui o primeiro presidente do
conselho da Vunesp que faz os exames vestibulares da UNESP, fiquei por seis anos em Guaratinguetá afastado do ITA.
E sobre o atual reitor da UNIVAP?
–
O Professor Baptista Gargione é de Presidente Prudente, SP,
estudou física na USP onde se formou alguns anos depois de
mim. Havia vaga no ITA e ele foi contratado, trabalhamos
juntos durante muito tempo. Naquela época, nos alternávamos,
as vezes era eu o chefe do departamento e outras era ele.
Ele sempre foi de dar murro na mesa, de maltratar as
pessoas, gritava e fazia a secretária chorar, como não tinha
funções consideradas altas, a gente dava um grito e ele
calava a boca.
Ele também trabalhou em Guaratinguetá?
– Ele tirou uma licença do ITA, fez concurso em
Guaratinguetá onde eu era o diretor e ingressou como
professor, isso em 1978 ou 79. Quando o Joaquim Bevilacqua assumiu a prefeitura de São José dos Campos
(1978-82) ele indicou o Baptista Gargione como secretário da
educação, Gargione pediu demissão da Faculdade de Engenharia
de Guaratinguetá e veio para São José.
E sobre a Faculdade de Direito que se transformou na
Universidade do Vale do Paraíba?
– Eu não acompanhava muito, me parece que um grupo conseguiu a implantação da Faculdade de Direito,
dentre eles; Jamil Oliveira Mattar, Neif Mattar de Oliveira,
o Professor Custódio, o Dr. Ulisses Bueno de Miranda e
outros. O curioso é que o Jamil era aluno na época. Tenho
uma cópia da escritura pública de instituição da Fundação
Valeparaibana de Ensino, criada em torno da Faculdade de
Direito.
E sobre Jamil de Oliveira Mattar?
- Ele esteve à frente da Faculdade de Direito e das outras
que foram sendo criadas, organizando uma estrutura
didática muito boa. Possuía muito conhecimento e vários
professores da USP vieram lecionar aqui em São José, talvez por puro
idealismo, porque o salário não era alto, apenas era
proporcionado transporte de ida e volta para São Paulo. O
Jamil se manteve por algum tempo, depois entrou na Justiça
para receber alguns milhões (em moeda da época), alegando
ter um crédito junto à Instituição.
A saída de Jamil Mattar
– A situação foi se deteriorando, o Joaquim Bevilacqua, que
era prefeito e havia feito o curso de Direito aqui, se
dizendo preocupado, manobrou para colocar como vice
presidente da Fundação o professor Baptista Gargione; o
presidente na época era o advogado Clélio Marcondes. A
situação da Fundação se tornou insustentável, pois as
dívidas cresciam; os alunos não pagavam, funcionários e
professores não recebiam os salários.
O Clélio
Marcondes foi praticamente expelido através de uma série de
manobras terríveis, pois chegaram a insuflar grupos de alunos
que iam à porta da casa dele gritar e ameaçar. Ele me
confidenciou recentemente: “Eu não tinha paciência nem saúde
para agüentar esse tipo de coisa.” Assim, pediu demissão e Baptista Gargione assumiu a presidência da Fundação e não largou
mais.
E como ele atuou?
– Ele tem muita habilidade. Conseguiu sanear as finanças da
Fundação, com recursos do BNDES, a juros baixos (TJLP) e
aplicando os saldos de caixa a juros mais altos, foi
construindo os prédios que hoje ai estão, sempre
através da mesma construtora, sem concorrência pública.
Algo importante
- Quando ele quis transformar os institutos em universidade,
começou a preparar um processo no Ministério da Educação, orientado pelo Professor Jair Candido de Mello, ex reitor do
ITA, que já estava há anos na FVE. O procedimento era
a nomeação pelo MEC de uma comissão de quatro membros que
acompanhava a evolução da instituição, durante dois anos
apresentando, a cada três meses, um relatório que era
analisado pelo Conselho Nacional de Educação.
Somente depois
de aprovado o relatório era fornecido o título de
Universidade. Eu era um dos membros dessa Comissão, o
presidente foi um professor da Medicina de Lavras, tinha uma
professora da UNIP de São Paulo e um professor da
Universidade do Desenvolvimento do Estado de Santa Catarina.
Como era a proposta?
- Era de fazer uma universidade pequena com bons professores
doutores, com grande potencialidade de ensino e de pesquisa. Foi
um bom projeto, tanto que, dois anos depois, recomendamos a
aprovação. O ministro da educação era o Professor José
Goldemberg que havia sido meu professor na USP, sendo o
chefe de gabinete do MEC o Professor Antonio de Souza
Teixeira Júnior que assumiu a pasta e
aprovou a Universidade, em 1992 e depois virou vice-reitor da UNIVAP e lá continua.
Quando o senhor ingressou na UNIVAP?
–
O Professor Gargione vinha insistindo comigo para trabalhar
com ele na UNIVAP. Quando completei 65 anos, trabalhava no ITA, resolvi
fazer outra coisa, como ele propunha montar um laboratório na
minha área, algo que não havia no ITA, aceitei a proposta.
Ele colocou 40 mil dólares à disposição e em seis meses o
laboratório estava montado.
Entrei como pro reitor de pós graduação como o departamento
estava numa bagunça terrível, fiz uma triagem e consegui
colocar a coisa em ordem. Em seguida, me foi oferecida a
direção do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde,
aceitei como candidato e me elegeram diretor. Foi implantada
uma faculdade de odontologia de primeiro mundo, com o que
havia de melhor no país. Foram também contratados excelentes
professores, entre eles vários doutores, da UNESP e da USP, e
o MEC reconheceu o curso de odontologia.
O que aconteceu depois?
– Começou a sonegação de recursos: não faz isso, não faz
aquilo, venceu o meu mandato, ele esperava que eu
continuasse, mas eu não quis. Como diretor, não podia fazer
nada, pois ter que ficar seis meses na porta da reitoria para
conseguir (e sem conseguir) um ventilador de teto, que custa
sessenta reais, vendo os professores saindo com as camisas
molhadas de suor, não era o meu estilo. Foi um dos fatos. Ele
resolveu que três novos cursos deveriam começar em agosto -
enfermagem, fisioterapia e terapia ocupacional.
Aleguei que não havia tempo, que seria impossível
implantar os cursos de maio à agosto, pois não havia material
humano disponível. Eu sou físico embora sabendo administrar,
não poderia fazê-lo, havendo necessidade de contratar um
coordenador para cada curso e ele concordou. Todavia queria pagar mil reais mensais
para uma professora com doutorado que deveria vir de São Paulo duas
vezes por semana. O Gargione viajou para a Europa,
aproveitei e falei com o vice Reitor que a professora viria
por dois mil reais mensais e ele concordou.
Quando o Gargione voltou e soube deu pulos, soltou fogo
pelas ventas: “Vocês estão fazendo coisas na minha sombra,
eu sai e vocês se aproveitaram para pagar um salário fora do
padrão.” Disse ele, e ficou por isso mesmo. No conselho são
todos carneiros, todo mundo tem medo do Gargione.
A fisioterapia
– Eu consegui um professor excelente que organizou o curso,
o Professor Ulisses Ervilha, uma pessoa com altura de
gigante e alma pura de criança. O Gargione liberou a verba e
foram importados equipamentos de última geração da Holanda,
da ordem de 200 mil dólares. Depois de tudo pronto e
funcionando o Ulisses foi mandado embora, no lugar dele foi
colocado um recém formado.
Na odontologia aconteceu a mesma coisa, os professores de
alto nível foram todos demitidos. Ele é um cara de pau - numa
ocasião eu recebi designação de matéria para lecionar no
fim de ano, deveria dar aulas para a Educação Física de Bio
Estatística. Aleguei que não podia, não entendo disso, pois não podia enganar os alunos
- sabe o que ele respondeu? “Vá
lá é dá qualquer coisa pra eles.” Eu tenho um nome e um
currículo a zelar e não fui.
No final, contratei dois professores e paguei do meu bolso
para que os alunos tivessem as aulas. O Gargione disse:
“Faça como você quiser.” Nos meses de setembro, outubro,
novembro e uma parte de dezembro tirei do meu salário e
paguei os professores. Veja se isso é um reitor? E tem mais,
o filho dele tinha uma carga didática e não ia dar aulas,
colocava outra pessoa no lugar, em Jacareí. Quando o
Professor Élcio Nogueira, que era pro reitor, levantou o caso,
ele foi demitido. Ora, tem muito mais coisa.
Como vê esse movimento de professores contra o reitor
Baptista Gargione?
– Os professores que saíram estão cobertos de razão, os que permanecem é por questão de sobrevivência, precisam do
emprego. Como os direitos são pagos pela Fundação, ele
demite a torto e direito.
As acusações contra o reitor são sérias, onde o senhor acha
que vai parar isso tudo?
– Da forma como ele grita atualmente na UNIVAP, “Isso aqui
é meu, quem manda aqui sou eu...” acho que o Gargione não
está bem, como não falava com ele amigavelmente desde 1998; me demiti, sai de lá no ano 2000 e movi dois
processos contra ele. Não dá para aturar uma pessoa assim.
Na verdade, o Ministério Público tem que determinar o
afastamento da diretoria atual e apurar as denúncias. O MEC
tem que intervir, através de uma direção de transição,
colocar em ordem os estatutos da Entidade que foram mexidos
de forma indevida, fazer novas eleições, eleger gente capaz
e tocar para frente. Existem pessoas em São José que podem
administrar a UNIVAP de forma democrática. Isso tem que ser
feito de fora pois, qualquer professor ou funcionário que se
posicionar contra o reitor é demitido na hora.
Fale com o professor Darwin Bassi:
dbassi@uol.com.br
Segundo o jornal valeparaibano do dia 18 último, “A
pró-reitora de Assuntos Jurídicos da Univap (Universidade do
Vale do Paraíba), Maria Cristina Goulart Pupio Silva, voltou
a negar ontem irregularidades administrativas na instituição
e na Fundação Valeparaibana de Ensino. Por meio da
assessoria, ela se recusou a responder aos questionamentos
encaminhados por e-mail pelo valeparaibano sobre as
supostas irregularidades relatadas pelos ex-professores
Marina Pasetto Nóbrega, Darwin Bassi e Rodrigo Alvaro
Brandão Lopes Martins...”
Na coluna do leitor no
mesmo jornal: "“Finalmente
alguém denuncia irregularidades na Univap. Fui estudante da
instituição e não me conformava, como um reitor conseguia ao
mesmo tempo ser criticado por todos, alunos, passando pelos
professores, coordenadores, donos das cantinas, guardas,
faxineiros e ser eleito por unanimidade e “ad eternum” para
o cargo.” Maria Angélica Ribeiro, São José dos Campos,
18.12.07 –
www.valeparaibano.com.br
NA-
Tentamos por várias vezes manter contato com o reitor
Baptista Gargione Filho através de suas assessoras por
telefone, por e-mail e não conseguimos.
Saiba
mais:
Pro reitor aciona Univap -
Doutora é demitida da UNIVAP -
Mec Avalia Univap -
Perseguição na UNIVAP
(*) Acassio Costa é advogado
-
acassio@vejosaojose.com.br |