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Os
Parâmetros Curriculares Nacionais constituíram uma idéia
diferente, extremamente importante para orientar o ensino,
produzida a partir dos preceitos estabelecidos na Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Brasileira - 9394/96.
Entretanto, até aqui, a prática curricular dos PCNs nas
escolas tem sido prejudicada em vários aspectos. Muitos
deles dizem respeito à dificuldade efetiva entre a teoria e
a prática do processo pedagógico e a grande distância
existente dos que querem os pedagogos nos seus gabinetes e o
que podem fazer os professores com suas disciplinas em sala
de aula.
Que fique
claro, não vai aqui nenhum tipo de preconceito contra
qualquer profissional da educação, apenas relato um fato
difícil de ser superado, que tem atravancado o processo e
que eu, particularmente, tenho tido muita dificuldade de
entender ou resolver.
Os PCNs
trazem conceitos de competências, habilidades e as
diferentes formas de tratar esses conceitos, todavia, a
prática pedagógica tem trazido muita confusão entre essas
novas figuras da terminologia educacional, produzindo muito
transtorno no processo.
Apesar de
mais de 10 anos da criação dos PCNs, há professores, e não
são poucos, que repetem o que não compreendem, usando
palavras que não entendem e os respectivos seus conceitos.
Na
verdade, esses professores acham ser mera formalidade o que
não muda absolutamente nada.
Antes de
continuar, vamos deixar claro que acredito piamente que os
objetivos almejados com a nova terminologia são os melhores,
já que a questão não é só semântica.
Há
preocupação com a melhoria da educação e dos métodos de
ensino. Porém, a dificuldade de conciliar os conceitos
teóricos à prática didático-pedagógica tem sido um entrave.
Por um
lado, os pedagogos querem a implantação da nova metodologia,
por outro lado, não sabem adequá-la nas diferentes
disciplinas. Os professores devem querer a implantação, mas
eles não conseguem obter o referencial teórico compatível
com a realidade didático-pedagógica.
Em suma,
os dois lados não se entendem e o processo não se desenvolve
a contento.
A própria
distinção entre o que sejam competências e habilidades
acabam por se sobrepor conceitualmente.
Os
pedagogos teóricos não conseguem criar exemplos específicos
para orientar os professores das diferentes disciplinas e os
professores não definem os seus problemas à luz da nova
conceituação.
Esse
impasse tem prejudicado o andamento do processo educacional,
tornou-se um ciclo vicioso que não permite operar o que
efetivamente se pensa.
Posso
propor um mecanismo que auxilie a resolução do impasse.
Primeiramente, que os teóricos pedagógicos sejam
conhecedores da teoria que envolve as diferentes
disciplinas.
É
necessário que o pedagogo que fala para o físico, por
exemplo, conheça um pouco de física a fim para produzir
situações reais, como exemplos aplicáveis. Do contrário, é
ilusão achar que um químico vá entender qual a competência
possível ser desenvolvida a partir do estudo do átomo e que
habilidade isso traz ao aluno.
O mesmo
poderia ser dito de um Biólogo ensinando normas
nomenclaturais ou Citologia, onde a competência é a própria
habilidade ou vice-versa.
O
pedagogo deve que ser capaz de explicar para que serve o
“peixe” e como deve ser vendido, é preciso que esse “peixe”
tenha condições de ser consumido, caso contrário, o “peixe”
se estragará.
Sem
alinhamento entre a idéia e a ação, não haverá alinhamento
na implantação efetiva dos PCNs.
Não basta
cumprir a norma, é preciso que ela seja compatível ao
processo educacional que se pretende estabelecer. O objetivo
dos PCNs é melhorar mas, até aqui, só têm conseguido
prejudicar, já que complicaram mais que solucionaram.
É
necessário uma melhor avaliação à implantação definitiva dos
PCNs para que possam ser estabelecidas as soluções efetivas
à Educação.
Alguns
estados estão pressupondo que os professores têm plena
consciência da questão, porém a prática didático-pedagógica
tem demonstrado o contrário.
A
Pedagogia e a Metodologia têm que ser implantadas de acordo
com os interesses dos profissionais de ensino nas diferentes
áreas específicas do conhecimento. Caso contrário, como
diria BOCAGE “a emenda sairá pior do que o soneto”.
Luiz
Eduardo Corrêa Lima (53) é (Professor Titular – FATEA/Lorena/SP
Biólogo (Zoólogo) Escritor e Ambientalista; Membro da
Academia Caçapavense de Letras, ocupando a Cadeira 25; e da
Associação Nacional dos Amigos da Educação, ANAE,
Ex-Vereador e Presidente da Câmara Municipal de Caçapava,SP
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leclima@hotmail.com |