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  19.02.2010  00:55  
 

A Teoria e a Prática dos PCNs

Luiz Eduardo Corrêa Lima (*)

 

Os Parâmetros Curriculares Nacionais constituíram uma idéia diferente, extremamente importante para orientar o ensino, produzida a partir dos preceitos estabelecidos na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira - 9394/96.

Entretanto, até aqui, a prática curricular dos PCNs nas escolas  tem sido prejudicada em vários aspectos. Muitos deles dizem respeito à dificuldade efetiva entre a teoria e a prática do processo pedagógico e a grande distância existente dos que querem os pedagogos nos seus gabinetes e o que podem fazer os professores com suas disciplinas em sala de aula.

Que fique claro, não vai aqui nenhum tipo de preconceito contra qualquer profissional da educação, apenas relato um fato difícil de ser superado, que tem atravancado o processo e que eu, particularmente, tenho tido muita dificuldade de entender ou resolver.

Os PCNs trazem conceitos de competências, habilidades e as diferentes formas de tratar esses conceitos, todavia, a prática pedagógica tem trazido muita confusão entre essas novas figuras da terminologia educacional, produzindo muito transtorno no processo.

Apesar de mais de 10 anos da criação dos PCNs, há professores, e não são poucos, que repetem o que não compreendem, usando palavras que não entendem e os respectivos seus conceitos.

Na verdade, esses professores acham ser mera formalidade o que não muda absolutamente nada.

Antes de continuar, vamos deixar claro que acredito piamente que os objetivos almejados com a nova terminologia são os melhores, já que a questão não é só semântica.

Há preocupação com a melhoria da educação e dos métodos de ensino. Porém, a dificuldade de conciliar os conceitos teóricos à prática didático-pedagógica tem sido um entrave.

Por um lado, os pedagogos querem a implantação da nova metodologia, por outro lado, não sabem adequá-la nas diferentes disciplinas. Os professores devem querer a implantação, mas eles não conseguem obter o referencial teórico compatível com a realidade didático-pedagógica.

Em suma, os dois lados não se entendem e o processo não se desenvolve a contento.

A própria distinção entre o que sejam competências e habilidades acabam por se sobrepor conceitualmente.

Os pedagogos teóricos não conseguem criar exemplos específicos para orientar os professores das diferentes disciplinas e os professores não definem os seus problemas à luz da nova conceituação.

Esse impasse tem prejudicado o andamento do processo educacional, tornou-se um ciclo vicioso que não permite operar o que efetivamente se pensa.

Posso propor um mecanismo que auxilie a resolução do impasse. Primeiramente, que os teóricos pedagógicos sejam conhecedores da teoria que envolve as diferentes disciplinas.

É necessário que o pedagogo que fala para o físico, por exemplo, conheça um pouco de física a fim para produzir situações reais, como exemplos aplicáveis. Do contrário, é ilusão achar que um químico vá entender qual a competência possível ser desenvolvida a partir do estudo do átomo e que habilidade isso traz ao aluno.

O mesmo poderia ser dito de um Biólogo ensinando normas nomenclaturais ou Citologia, onde a competência é a própria habilidade ou vice-versa.

O pedagogo deve que ser capaz de explicar para que serve o “peixe” e como deve ser vendido, é preciso que esse “peixe” tenha condições de ser consumido, caso contrário, o “peixe” se estragará.

Sem alinhamento entre a idéia e a ação, não haverá alinhamento na implantação efetiva dos PCNs.

Não basta cumprir a norma, é preciso que ela seja compatível ao processo educacional que se pretende estabelecer. O objetivo dos PCNs é melhorar mas, até aqui, só têm conseguido prejudicar, já que complicaram mais que solucionaram.

É necessário uma melhor avaliação à implantação definitiva dos PCNs para que possam ser estabelecidas as soluções efetivas à Educação.

Alguns estados estão pressupondo que os professores têm plena consciência da questão, porém a prática didático-pedagógica tem demonstrado o contrário.

A Pedagogia e a Metodologia têm que ser implantadas de acordo com os interesses dos profissionais de ensino nas diferentes áreas específicas do conhecimento. Caso contrário, como diria BOCAGE “a emenda sairá pior do que o soneto”.

Luiz Eduardo Corrêa Lima (53) é (Professor Titular – FATEA/Lorena/SP  Biólogo (Zoólogo) Escritor e Ambientalista; Membro da Academia Caçapavense de Letras, ocupando a Cadeira 25; e da Associação Nacional dos Amigos da Educação, ANAE, Ex-Vereador e Presidente da Câmara Municipal de Caçapava,SP - leclima@hotmail.com


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