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Nesta semana, mais uma
vez, tive a infeliz oportunidade de presenciar, num trabalho
que pretensamente deveria ser de Educação Ambiental, uma
professora falando com um grupo de alunos de Ensino
Fundamental, sobre um assunto que imaginava estar sendo
tratado de maneira diferente nas escolas.
Na situação em questão, a
professora falava aos alunos sobre os “animais úteis” ao
homem, algo lamentável e que, pelo visto, ainda há muita
gente pensando, e o que é pior, ensinando isto às crianças.
Historicamente, desde o
momento que o ser humano nasce ele é levado a entender que
há “animais úteis” e outros não.
Mais tarde, quando a
criança entra na escola, lamentavelmente o ensinamento
errado é reforçado pelos professores no início de sua
formação.
Ora, se alguns animais são
considerados úteis, isso implica em que outros sejam
inúteis, uma conclusão simples e lógica. Alguns ainda vão
mais longe: “já que esses animais são inúteis, então vamos
acabar logo com eles”.
Pois é, ao longo do tempo,
fizeram isso, trabalharam para destruir e matar os animais
considerados “inúteis”, tentando aumentar as populações dos
“úteis”.
Por exemplo,
historicamente supervalorizamos as galinhas, pois elas
fornecem carne e ovos, além de outras coisas de menor
destaque e sub-valorizamos os gambás porque não fornecem
aparentemente absolutamente nada, e se, por acaso, resolve
comer algumas galinhas, a coisa fica feia e desanda de vez.
Porque o gambá, além de inútil, passa a ser visto como um
inimigo cruel comedor das pobres aves amigas.
O pior, ganha o “status”
de “animal nocivo” - muito mal visto, caçado e destruído sem
nenhuma justificativa, apenas por ser um gambá.
Considerando que a
Educação Ambiental é hoje a expressão de ordem nos projetos
educacionais, é inadmissível que ainda existam professores
com essa visão errada, passando esse tipo de informação aos
seus alunos. E pior ainda quando se está num país de
mega-biodiversidade.
Aliás, sempre é bom
lembrar que o Brasil é o país que detém a maior
biodiversidade do planeta, com cerca de 20% das espécies
vivas da Terra. Ou seja, para quem pensa em utilidade dos
animais, países como o Brasil têm muito animal inútil.
Essa questão de utilidade
dos animais nem de longe pode ser considerada verdadeira e
foi por mim abordada num trabalho que publiquei há 13 anos
(LIMA, 1997), ao que parece ninguém leu, ou estava muito
interessado nesse assunto. De lá para cá nada mudou.
Talvez, naquela época a
Educação Ambiental não estivesse na “moda”. Porém, hoje, não
dá mais para entender que nas escolas primárias continuem
falando em animais úteis e inúteis para as crianças,
principalmente quando se enfatiza a necessidade de destaque
e apoio à Educação Ambiental.
Naquele artigo, eu já
dizia que é preciso mudar essa mentalidade de que os animais
são bens da natureza doados por Deus ao homem para sua
utilização.
Certamente ninguém leu
esse trecho, ou se leu deve ter imaginado que eu era mais um
louco blasfemando contra Deus. Não sou contra Deus e nem
estou louco. Mas, insisto que devemos abandonar essas
afirmações de “animal útil” e de “animal nocivo” o mais
rápido possível nas escolas do ensino fundamental.
Assim poderemos produzir
homens melhores que respeitem relacionamento com os demais
organismos vivos, particularmente os animais, fundamentais
ao desenvolvimento e à manutenção da vida no planeta.
Todas as espécies animais
e vegetais, sem exceção, são importantes para o planeta.
Caso contrário a natureza não as teria selecionado e elas
não existiriam.
Essa nossa antiga
conceituação sociológica de que existem animais úteis e
inúteis precisa ser esquecida e apagada no ensino escolar
para que as crianças sejam esclarecidas e colaborem na
preservação dos seres vivos na natureza.
Se existirem entidades
biológicas inúteis no planeta, devem ser seres humanos que
continuam ignorando a boa relação com os animais.
Referências
Bibliográficas: LIMA, L. E. C., 1997. A Educação Ambiental e
a Utilidade dos Animais: um Contrassenso Sociológico e
Naturalístico, Ângulo, Lorena, (67): 6-8.
Luiz
Eduardo Corrêa Lima (53) é (Professor Titular – FATEA/Lorena/SP
Biólogo (Zoólogo) Escritor e Ambientalista; Membro da
Academia Caçapavense de Letras, ocupando a Cadeira 25; e da
Associação Nacional dos Amigos da Educação, ANAE,
Ex-Vereador e Presidente da Câmara Municipal de Caçapava,SP
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leclima@hotmail.com |