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“A
música está mudando a vida desses estudantes. Não só a
deles, mas as das famílias e da comunidade. O ambiente
escolar melhorou.”Elisa Pinheiro de Freitas, professora de
geografia.
“Abraçamos o trabalho do Coral do Estevam Ferri porque
descobrimos um trabalho muito bonito. Contribuir para a
formação de jovens é uma forma de alavancar o conhecimento.”
Acácio Maurício de Oliveira Júnior, do Conservatório
Villa-Lobos.
São José dos Campos
- A música deu um novo compasso à vida de 45 estudantes do
ensino médio da escola estadual Estevam Ferri, em São José
dos Campos. Há um ano, eles montaram um coral e, nas
canções, descobriram um meio de superação.
A história, que parece
roteiro de filme, começou nas escadas do colégio, onde um
pequeno grupo de estudantes se reunia durante os intervalos
para cantar.
Os alunos foram observados
pela professora de geografia Elisa Pinheiro de Freitas, 30
anos, que decidiu propor a eles a criação de um coral; -
“Eles cantavam no intervalo, com um timbre de voz
excepcional. Percebi que poderíamos usar essas talentos para
dar uma identidade positiva para escola.”
No começo eram seis,
depois 18 e hoje são 45 coralistas. A maioria chegou às
aulas sem nenhum conhecimento de canto. Em apenas seis meses
de aulas, perceberam a música como uma forma de expressão
dos seus sentimentos.
Com um violão e a ajuda de
um trio afinado de alunos, a professora dividiu as vozes e
formou um coral de qualidade numa escola pública. Mais uma
prova de ser possível mudar vidas com força de vontade e
dedicação.
Ao som de “Happy Day”, os
estudantes descobriram a linha de cada voz para embalar
repertórios clássicos e populares.
De ouvido, começaram a
estudar timbres, intensidade, altura e tempo de voz, com o
incentivo da professora de geografia. O coro marca presença
com seus 15 sopranos, 15 contraltos, 7 tenores e 7 baixos e
altera a rotina da escola.
MUDANÇA
- Antes da escola de música, Israel Vinicius, 18 anos, vivia
em outro ritmo. Morador do abrigo municipal, o estudante
aprendeu muito cedo a enfrentar a solidão. Aos 11 anos saiu
de casa para morar nas ruas e acabou se envolvendo com
drogas e roubo.
Num dos ensaio, Israel se
descobriu como um dos principais coralistas do grupo por sua
capacidade vocal. Quando canta, sua melodia preenche o vazio
da casa. “Aqui não me sinto sozinho.” Afirma Israel.
Regente do grupo, Vicente
Fernandes de Sampaio Júnior, 18 anos, toca violão desde os 8
e canta desde os 10 está muito contente, “Sempre estive
envolvido com música, mas. ensaiar na escola foi muito bom.
O grupo começou a crescer e aprendemos muito um com o outro.
Percebo na música uma forma de seguir carreira.”
Vicente imagina ser
músico, faz parte do Coro Jovem Sinfônico da Fundação
Cultural Cassiano Ricardo. No coral da Estevam Ferri, é o
responsável por separar as vozes dos alunos e definir o
estilo onde melhor se enquadram — música popular, gospel e
gospel americana.
Para o estudante Igor Dias
Siqueira, 16 anos, o coral ensina técnicas musicais e
responsabilidades. “O coral me acalma, é onde passo os
melhores momentos de minha vida.”
APRENDIZADO
- Liu Jianhong é um ex-aluno do colégio Estevam Ferri que
continua no coral, veio de Taiwan e é um exímio pianista.
Ele conta que o coral foi fundamental para a sua
socialização.
A estudante Natália Soares
de Siqueira, 17 anos, encontrou na música uma forma de
superar a perda de sua mãe. “Minha vida era monótona, eu me
sentia muito sozinha. O coro mudou a minha vida. Eu quero
fazer música e sentí-la. Ela me trouxe amigos.”
A história dessa meninada,
que aprendeu a gostar de música clássica, tem encantado
muita gente. O grupo já cantou para professores,
empresários, políticos, pesquisadores, universitários e no
Conservatório Villa-Lobos onde a apresentação lhes rendeu
uma bolsa de estudo desde junho desse ano.
BOLSA
- O Coral da escola
Estevam Ferri foi beneficiado com uma bolsa de estudo do
Conservatório Villa- Lobos de São José. O músico e
proprietário do Conservatório, Acácio Maurício de Oliveira
Júnior, 55 anos, abraçou o coral pelo belo trabalho que vem
sendo realizado pela professora Elisa Pinheiro.
“Eles mereciam um espaço
digno de trabalho e com instrução técnica. É uma forma de
alavancar jovens talentos que esbarram na falta de
oportunidade.” Os alunos têm aulas todas as sextas-feiras,
das 13h às 15h30. Disse Acássio.
QUARTAS MUSICAIS
- O Conservatório Villa-Lobos realiza concertos didáticos
por meio do projeto Quartas Musicais, uma programação de
eventos, onde escolas públicas são convidadas a apresentar
talentos musicais.
Segundo
Acácio Maurício de Oliveira Júnior, pelo menos 10 escolas
estaduais passaram pelo conservatório neste ano. "O projeto
‘Quartas Musicais’ é um meio de valorizar os instrumentistas
da região .” Foi numa dessas apresentações que o coro do
Estevam Ferri foi descoberto."
VALEPARAIBANO
DOMINGO, 22 DE NOVEMBRO
DE 2009

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