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  30.07.2010 00h.01  
  Terapia popular favoreceu surgimento de novas profissões 

 

por Rafaela Carvalho - rafaela.souza.carvalho@usp.br  
  Analisar a evolução da profissão de médicos e farmacêuticos entre os séculos XIX e XX, observando as terapias populares existentes desde então. Esse foi o tema da tese de doutorado Médicos e farmacêuticos na terapia popular: uma trajetória de suas profissões no Estado de São Paulo e na Inglaterra (1815-1930), apresentada na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP.

A autora da pesquisa, Paula Yuri Sugishita Kanikadan, formada em Ciências Farmacêuticas, conta que questões como automedicação e a desaprovação de grande parte dos profissionais da saúde em relação à terapia popular foram os fatores que mais estimularam sua pesquisa. O estudo tinha como objetivo compreender a situação da saúde pública atual, por meio da análise dos séculos XIX e XX.

Paula conta que a II Revolução Industrial foi uma das razões para incluir a Inglaterra em sua tese. “Por ter iniciado essa revolução, esse país mostrou — apesar de bastante inicial — um desenvolvimento da indústria química e, posteriormente, da indústria de medicamentos.” A pesquisadora conta que esse desenvolvimento, mais tarde, influenciaria o estado de São Paulo, que entre o fim do século XIX e o início do século XX, já apresentava modificações significativas quanto ao uso de medicamentos e às profissões de saúde.

A terapia popular, segundo a pesquisa de Paula, abriu portas para a criação e desenvolvimento de novas profissões na área de saúde. “O crescimento no número de especializações mostrou que apesar de importante, a profissão médica não é capaz de atender a todas as necessidades das populações”, relata.

A pesquisadora conta que essas profissões já existiam havia décadas, mas estão ganhando mais credibilidade agora, graças à demanda por novos tratamentos. O trabalho do farmacêutico, segundo Paula, é um dos que está cada vez adquirindo mais importância na sociedade. “Um exemplo disso são as propagandas veiculadas na televisão, que dizem para consultar não só o médico, mas também o farmacêutico.”

Além disso, a necessidade de medidas sanitárias em São Paulo reforçou a necessidade de atuação dos médicos no estado: “Todos sabem que as epidemias da época traziam uma série de dificuldades para a população. Neste sentido, novas regulamentações para as profissões acarretaram em mudanças nas práticas médicas. Ao mesmo tempo, o desenvolvimento da ciência e a urbanização contribuíam para que isso acontecesse”, diz a pesquisadora.

A pesquisadora também conta que as tentativas por parte dos médicos e farmacêuticos da época de tentar eliminar as práticas populares deram mais força às suas profissões, mais tradicionais, ofuscando os métodos alternativos. Ainda assim, houve grandes dificuldades para frear a manipulação de medicamentos caseiros, a criação de remédios artesanais e a prática de “conselhos médicos” por parte de leigos.

Ajuda mútua - Ainda hoje, apesar da resistência de profissões mais tradicionais em relação à terapia popular, existe a prática da terapia popular: “O conselho do vizinho, o uso de chás e outras práticas ditas alternativas, ou seja, que não seguem a medicina convencional. As ciências médica e farmacêutica andam ao lado das práticas populares de cura de doenças”, enfatiza Paula.

Também há adaptações que, hoje em dia, ganharam a confiança de quem adere a diferentes formas de tratamento de diversos problemas de saúde.“Não diria que há uma evolução, mas sim uma manutenção da terapia popular. A Organização Mundial de Saúde está, cada vez mais, estimulando as práticas alternativas de cura; no Brasil, o Sistema Único de Saúde criou uma política nacional de práticas integrativas e complementares, com destaque para a homeopatia, acupuntura, termalismo, meditações, orações, o uso de plantas medicinais e fitoterápicos”, lembra a pesquisadora.

Mais informações: (11) 6485-6085, email paulak@usp.br


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