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Mas há outra forma desse
ardil, mais frequente, mais dissimulada e ainda mais
perniciosa: a compra de votos nos plenários das casas
legislativas.
Digo que essa modalidade é
mais dissimulada porque não é feita nos instantes que
antecedem uma votação, mas bem antes, na campanha eleitoral,
em que os legisladores conquistam seus mandatos com a ajuda
financeira de empresários interessados em negócios como
poder público.
Não posso afirmar que seja
esse ocaso revelado por uma enquete deste jornal, na qual 12
dos 21 vereadores da Câmara de São José dos Campos disseram
ser a favor da retomada da extração de areia, quando se sabe
que a prefeitura é contra, as entidades ambientalistas são
contra e a imensa maioria da população é contra. Mas, então,
por que tantos vereadores são a favor?
Não será porque os
areeiros terão colocado muito dinheiro em suas campanhas
eleitorais em 2008, a exemplo dos construtores que agora
pressionam os vereadores para que desfigurem por completo a
nova Lei de Zoneamento com nada menos de 70 emendas?
Eles é que vão planejar o
futuro da cidade? Os vereadores vão se pôr de joelhos diante
deles?
Disse a este jornal um
líder areeiro: “É absurdo São José dos Campos não tirar
areia de seu trecho zoneado, sendo a maior consumidora da
região”.
Ora,com a população que
tem, São José também é, na região, a maior consumidora de
banana, pneu, geladeira, cimento e todos os demais artigos,
não importando se são produzidos aqui. Importa saber que a
retirada de areia do leito do Rio Paraíba é danosa ao
ambiente ribeirinho.
Se outros municípios não
zelam pelo seu, aqui zelamos pelo nosso.
Quando os areeiros pedem a
liberação dentro de normas que se comprometem a cumprir,
eles merecem crédito para essa promessa?
A resposta é dada pelo
INPE, que em 2008 monitorou por satélite a atividade deles:
das 71 cavas de areia na região, 30 estavam fora do
zoneamento minerário.
Verdade seja dita, a
suspeita de compra de votos em plenário não recai somente
sobre a Câmara de São José, mas sobre todos os parlamentos,
bem como sobre muitos dos eleitos para o Executivo.
Acaba de ser divulgado
pelo Tribunal Superior Eleitoral que, no ano passado, quatro
empreiteiras de obras responderam por 39% das doações feitas
a grandes partidos políticos. Você acredita que isso se faça
a troco de nada?
A empreiteira UTC
Engenharia nem participou de concorrência, foi escolhida por
convite num contrato de 114 milhões com a Petrobrás. Dois
dias antes - que coincidência! – tinha começado a doar,
mensalmente, 150 mil ao PT de São Paulo. A solução poderia
ser o financiamento público das campanhas eleitorais. Mas
quem garante que, além de receberem o dinheiro público, os
candidatos não continuarão buscando a grana de empresários,
aos quais depois terão de servir?
Apoio
ao Turismo – Parabéns
ao deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP),que tenta ajudar
os donos de quiosques a voltarem a oferecer mesas, cadeiras
e guarda-sóis em Ubatuba. Mas sem pagode nem música
sertaneja, pelo amor de Deus!
Gastança Esquisita -
Parabéns igualmente aos
membros do Gedesp, que
decidiram ir questionar, pessoalmente,os gastos excessivos
da presidência da Câmara de São José
Reestilização Não está
nos manuais médicos,
mas é bom saber.
Vasectomia é apenas
a mudança de uma parte do corpo masculino de
modelo familiar para
modelo esportivo
Roberto Wagner de Almeida
escreve neste espaço aos domingos - roberto.wagner@ovale.com.br
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O VALE
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