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Ridley Scott envereda-se pelo universo do
mítico Robin Hood, que ficou conhecido como um dos maiores
ladrões da corte inglesa durante o reinado de Ricardo
Coração de Leão.
Caracterizado como um herói fora-da-lei, ele
roubava dos ricos para dar aos pobres, e após a ascenção do
príncipe John, sucessor de Ricardo, é declarado insurrente
depois de ser o comandante na expulsão dos franceses da
costa da Inglaterra.
Essa velha história, agora ganha outra
roupagem, dessa vez sob o comando de Scott, diretor de três
memoráveis filmes, Alien – O oitavo passageiro,
Blade Runner – O caçador de andróides e
Thelma e Louise. No entanto, nos últimos anos o
diretor tem decepcionado, filmes como Hannibal,
Falcão negro em perigo e Cruzadas
foram fracassos de crítica e bilheteria.
Mas um novo título de Ridley Scott traz
sempre uma esperança do seu retorno aos bons tempos,
infelizmente ainda não é chegada a hora e Robin Hood
apesar de apostar no recente filão dos filmes que procuram
trazer o como tudo começou não encanta, e logo figurará na
sessão da tarde.
A parceria do diretor com o ator Russell
Crowe é frustrante. Sem expressividade dramática ele não
consegue dar vida ao personagem e com isso criar a empatia
necessária com o público.
Identificação inclusive extremamente
importante para que a trama funcionasse, porque Robin Hood é
um típico anti-herói, que rouba, seduz mulheres, além de ser
canastrão, e o que se vê na tela é uma interpretação sisuda,
em que Crowe parece não se sentir confortável dentro da
persongem.
Além disso o roteiro é muito previsível, e
muitas vezes retardou situações que já estavam explícitas,
como a relação entre Marion Loxley (Cate Blanchett) e Robin.
O filme no entanto não é um total desastre,
principalmente porque Cate Blanchett e os três fiéis amigos
de Robin roubam a cena, com tiradas de humor interessantes.
E o que Ridley sabe fazer de melhor é impactar visualmente,
com ótima reconstrução da era ricardiana, figurinos e
cenários impecáveis. Mas é só. Ficamos ainda na espera do
retorno do velho Scott que parece ter esquecido como se faz
um bom filme.
André de Lima <andrel_sjc@hotmail.com>
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