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O papel aceita tudo, mas a
telinha aceita muito mais. A última novidade em material
falso distribuído pela Internet é atribuída à grande Marília
Gabriela: um texto pesadíssimo em que ela diz ter medo de
Dilma Rousseff, a candidata do PT à Presidência da
República. O texto não é de Gabi: consultada, ela reagiu com
indignação. "De jeito nenhum! Que desfaçatez! Por favor,
avisa que é mentira!"
É mentira, mas vai continuar circulando. As mentiras na
Internet não morrem: elas crescem, se espalham, saem de
moda, quase desaparecem e acabam voltando, por mais absurdas
que sejam, por menos verossimilhança que tenham. Alguém
escreve um texto e, para dar-lhe força, assina com o nome de
um autor conhecido. Luiz Fernando Veríssimo, por exemplo; ou
Millôr Fernandes. O texto é mambembe, não tem graça nenhuma,
o idioma sofre, mas está lá a assinatura que "dá
credibilidade" às besteiras. Desmentidos? Bobagem: há um
manifesto supostamente assinado por Franklin Martins, ainda
em sua época da Globo, em que critica uma lei (que não
existe) e um parlamentar (que teria apresentado o projeto,
mas que não o apresentou). Há um poema de Cleide Canton
amplamente distribuído como se fosse da autoria de Ruy
Barbosa.
A Internet publica textos atribuídos a autores que não os
escreveram, divulga lendas urbanas (se você acordar numa
banheira com água gelada, etc., etc.), espalha armadilhas
para roubar dados (aqui estão nossas fotos no motel. Clique
aqui) e tem gente que acredita, embora nem tenha ido ao
motel. E inventa histórias, como a da demissão do Alexandre
Garcia por ter lido noticiário não aprovado pela Rede Globo.
O fato de Alexandre Garcia continuar normalmente no ar,
apresentando os programas que sempre apresentou, parece não
ter a menor importância: importante mesmo é divulgar que
"eles" o derrubaram. Arnaldo Jabor e Lúcia Hipólito também
vivem sendo demitidos, continuam em seus postos, mas a
notícia de que foram demitidos "por eles" (sejam "eles" quem
forem) não deixa de correr a rede toda.
Internet é território livre, onde ainda a lei não predomina.
Cabe aos internautas, portanto, verificar se as coisas que
estão vendo são dignas de crédito, ou se já foram
desmentidas pelos fatos. Mas isso dá trabalho. Mais fácil é
acreditar, indignar-se, repassar para tout le monde e son
pére. E com os endereços abertos.
A banda larga e o eleitor - Uma reportagem
mostrou que um empresário, depois de fazer um negócio
estranho (comprou por R$ 1,00 a participação numa empresa
falida, passando a compartilhar dívidas na casa de milhões
de reais), contratou o ex-ministro José Dirceu como
consultor e se preparava para receber muito dinheiro na
reativação da Telebrás. A imprensa contrária ao Governo está
batendo duro: embora o referido empresário tenha comprado a
participação na empresa uns três anos antes de contratar
Dirceu, já teria armado toda uma trama para lucrar seus
milhõezinhos.
A imprensa favorável ao Governo diz que a operação nada tem
de irregular, que não há chance alguma de o empresário obter
lucros com a Telebrás, com Dirceu ou sem Dirceu. E circulam,
de um lado e de outro, textos de leis, contratos,
concessões, decisões judiciais.
Este colunista não está entendendo nada: afinal de contas,
há ou não algo esquisito no negócio? Seria muito difícil um
jornal independente buscar um ou dois especialistas no
assunto que possam destrinchá-lo? Ou ninguém estará
interessado no tema a menos que seja contra ou a favor?
Isso, em palavras mais cruas, significa que meios de
comunicação independentes são coisas do passado.
Balas de verdade - O clima de faroeste das
guerras da imprensa ainda vai acabar em coisa feia. Um
blogueiro, em campanha contra empresários de um jogador que
está em litígio com o clube, divulgou não apenas seu
endereço como a foto do prédio em que, segundo diz, ele está
morando. Perigosíssimo: um torcedor com a cabeça fora do
lugar pode perfeitamente usar esse tipo de informação. Em
compensação, blogueiros que fazem campanha contra o
blogueiro citado divulgaram não apenas a rua para a qual,
segundo dizem, ele se mudou, como também a padaria que
estaria frequentando e a foto do apartamento que seria o
dele. Só faltou dar o número. Mas não é difícil, pelas
informações já distribuídas, encontrar o endereço completo.
Nos dois casos, brinca-se com o direito à intimidade,
ignorando-o; nos dois casos, abre-se para inimigos pessoais
a oportunidade de vingar-se de agravos reais, imaginários ou
sabe-se lá o que.
Coisa estranha - Esquisitíssima essa série de
denúncias contra a campanha publicitária da cerveja Devassa,
estrelada pela starlet americana Paris Hilton. Não há
nada, na campanha, diferente do habitual: mulheres seminuas
e cerveja gelada. As "poses sensuais" de Paris Hilton são
idênticas às dos demais anúncios de cerveja. E são
apresentadas de tão longe que, mesmo que Paris fosse
sensual, ninguém a veria.
Com raras exceções, a propaganda brasileira de cerveja não
varia: se trocar a marca anunciada, pouquíssima gente vai
perceber. Então, por que até a Secretaria Especial de
Políticas para as Mulheres decidiu se envolver no assunto?
Por que só com a Devassa, e não com as outras cervejas que
fazem propaganda parecida?
Do jeito que a coisa foi feita, a eventual restrição à
publicidade da Devassa vai funcionar é como estímulo ao
consumo da marca. Mas não deve ser isso, né? Também pode ser
coisa do pessoal chatamente correto.
Por incrível que pareça, esta seria a hipótese mais
palatável.
Fundo do tacho - Para quem achava que já tinha
visto tudo, a história do deputado Vanderlei Siraque mostra
que as novidades nunca se esgotam. O deputado estadual, do
PT de Santo André, SP, usou sua cota de selos da Assembléia
no envio de convites para sua festa de aniversário. Não está
escapando nem forminha de brigadeiro!
O curioso é que a história apareceu em um único jornal: o
Diário do Grande ABC. Há outros jornais, bem menores, na
região; há os grandes jornais de São Paulo, que estão
pertinho de Santo André. Mas estes foram bem bonzinhos.
Entretanto, o jornal que revelou o caso foi injusto com
Siraque, reclamando que Sua Excelência levou cinco dias para
dar explicações. Foi até pouco: em cinco dias, conseguiu
encontrar alguma explicação para um caso que definitivamente
não tem explicação. Siraque, como alguns companheiros
apanhados em casos semelhantes (lembra do senador que levou
a namorada a Paris, por conta da verba oficial de
passagens?), prometeu devolver o dinheiro: segundo ele, são
R$ 1.995,00. Mas precisa de mais algum tempo para dizer
quando o fará.
Siraque disse que emitiu três mil convites para sua festa de
aniversário, que se realizou no dia 20, nos salões da Casa
de Portugal. Deve ter sido um festão! Sua Excelência
calculou que 2.500 pessoas cantaram o Parabéns a Você.
Siraque rachou o PT de Santo André, há anos hegemônico no
município, para ser seu candidato à Prefeitura. Foi
derrotado pelo novato Aidan Ravin, do PTB.
Tigresas de papel - Regina Helena de Paiva
Ramos, jornalista desde 1952, passou oito anos pesquisando
as primeiras mulheres jornalistas de São Paulo - numa época
em que jornalismo não era profissão para mulheres, exceto
nas páginas de prendas domésticas. Foi complicado: boa parte
já tinha morrido, foi quase impossível encontrar informações
sobre muitas das pioneiras. Acabou dando certo: cuidando do
início do trabalho das mulheres no jornalismo até a década
de 1960, quando o mercado finalmente se abriu à ampla
participação feminina, o livro Mulheres Jornalistas- a
grande invasão sai no dia 8, a partir das 19 horas, com
um grande lançamento na faculdade em que Regina Helena se
formou, a Casper Líbero, na avenida Paulista, 900, São
Paulo.
São 70 mulheres jornalistas que entram no livro. Destas, a
própria autora é uma das mais interessantes. Regina Helena é
um doce de pessoa, mas pode ser muito brava: durante algum
tempo, costumava ir à redação com um chicote de montaria,
até que parassem de provocá-la. Trabalhou com jornalistas
lendários, como Hermínio Sachetta, a quem o livro é
dedicado, por ter sido quem mais deu emprego a mulheres
jornalistas nas décadas de 50 e 60; com Ewaldo Dantas
Ferreira, no O São Paulo, jornal da Arquidiocese,
perseguidíssimo pela ditadura; fez jornalismo econômico,
jornalismo frufru, jornalismo de moda; foi uma das mais
conhecidas críticas de teatro de São Paulo. Produziu a
Revista Feminina, com Maria Tereza Gregori; e se aposentou
na revista Visão, como editora de País, trabalhando
com Isaac Jardanovski.
Este colunista não teve ainda acesso aos originais do livro.
Mas, sendo de Regina Helena, só pode ser bom.
Tigres das urnas - Um bom livro para a safra
de eleições deve ser lançado nesta quinta, às 18h30, na
Livraria Cultura do Shopping Villa-Lobos, SP: é Marketing
Eleitoral - o passo a passo do nascimento do candidato. Como
organizar, formatar, redigir e apresentar um plano de
marketing eleitoral a seu cliente. O autor é Carlos
Manhanelli, presidente da Abcop, Associação Brasileira de
Consultores Políticos; o prefácio é de Chico Santa Rita,
especializado em marketing político, um dos maiores
vencedores de eleições do país. Uma obra para quem está
interessado no tema - uma bela obra.
Como... De um importante portal noticioso, ligado a
um grande jornal:
Vanessa Redgrave (dir.) e a filha Natasha Richardson em
evento em NY (12/1/2009).
Tudo estaria bem - mas Natasha Richardson morreu em 2008,
num acidente de esqui.
...é... Notícia de um portal de
Economia:
Feira de Luxo vende caixão de ouro com telefone por R$ 696
mil
A explicação é que o telefone celular servirá caso a pessoa
seja enterrada viva. Imagina-se que vá funcionar dentro de
uma caixa de ouro sob sete palmos de terra e concreto.
...mesmo? - Saiu num grande jornal:
Mulher de Charlie Sheen deixa clínica após vazamento de
documentos secretos
Não, não é nada estranho: se vazamento de água já deixa os
aposentos inabitáveis, imagine vazamento de documentos
secretos!
E eu com isso? - O Governo da Coréia, conta
Ethevaldo Siqueira, está fazendo um esforço gigantesco para
que cada casa tenha acesso a banda larga de um giga - coisa
que nem os milionários mais nerds do Brasil ainda conhecem.
Mas o Governo brasileiro também promete, com a rede de fibra
óptica da Eletronet, ampliar dramaticamente o acesso à banda
larga, embora bem menos larga do que a coreana. Quando isso
acontecer, teremos acesso muito melhor a informações como
essas:
1 - Parque temático promove concurso da urina mais fedorenta
2 - Samambaia termina namoro e diz que está "solteira graças
a Deus"
3 - George, o maior cão do mundo, tem 20 mil amigos no
Facebook
4 - Homem faz Jesus Luz chorar, diz jornal
5 - Avó australiana sobrevive a ataque batendo em tubarão
6 - Dado Dolabella dá sobremesa na boca da mulher Viviane
Sarahyba durante jantar
7 - Leonardo DiCaprio não se importa em ser "filhinho da
mamãe"
8 - Príncipe William está moreno
9 - Homem morde cobra por dinheiro
10 - Kate Winslet diz que deixa estatueta do Oscar no
banheiro
11 - Sarah Jessica Parker usa vestido de Victoria Beckham em
reunião com Michelle Obama
12 - Homem é preso por roubar mesmo banco duas vezes em 24
horas
Será que ele não gostaria de se candidatar a alguma coisa?
O grande título - Coisas interessantes nunca
faltam. Um título surrealista, por exemplo:
Johnny Depp: "Passo o dia observando vegetais crescerem"
Ou daqueles que contam coisas absurdas:
Ana Maria almoça com marido e leva multa
Será que é ilegal almoçar com o marido?
Ou ainda um dos que devem ter sentido, embora seja difícil
descobrir qual é:
Estrela "engorda" planeta e está prestes a devorá-lo
E, sempre no estilo meio incompreensível, um grande título:
Ex-modelo morta não usava alarme, diz polícia
Alguém costuma usar alarme no dia-a-dia?
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