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Brasília
está discutindo Elias Fernandes, a permanência de Mário
Montenegro, se é que este é o nome dele, as atitudes do
deputado potiguar Henrique Alves, do PMDB, o relacionamento
entre o vice-presidente Michel Temer e a presidente Dilma
Rousseff, a presença de Césare Battisti num forum
internacional em Porto Alegre, com o objetivo de mudar o
mundo, e pago naturalmente com dinheiro público, que o deles
não muda nada, nem de bolso.
O país está tão parado que não há assunto nem para as
discussões. Se o Ministério ficar com Montenegro, Negromonte
ou qualquer outro monte dos que vêm sendo citados, tanto
faz; se Henrique Alves será ou não o próximo presidente da
Câmara, um cargo tão importante que o presidente atual sumiu
por vários dias e só se soube que estava fora do país (e
ilegalmente) porque a imprensa descobriu seu paradeiro, não
faz a menor diferença. Se Severino Cavalcanti já foi
presidente da Casa, qual o problema de Henrique Alves chegar
lá? Ulysses Guimarães e Adauto Lúcio Cardoso também foram
presidentes da Câmara, e levaram ao cargo dignidade e
coragem.
Mas isso faz tanto tempo! - Veja os candidatos a
prefeito de São Paulo, maior cidade do país: a credencial de
um é o sobrenome tradicional, a de outro é ser neto de um
político importante, a de outro é ter escrito mais livros
ruins do que tem de anos de vida, a de outro é pentear os
cabelos a cada instante, olhando-se ao espelho com ternura.
Enchentes, habitação, trânsito? Quem sabe um dia isso se
resolve sozinho?
Fim de férias - As autoridades têm uma chance
ótima de tentar ajudar a resolver estes problemas: neste 1º
de fevereiro, acabam-se os recessos e, oficialmente, Suas
Excelências voltam de férias. Este colunista tem um palpite:
ainda é cedo e todo mundo precisa descansar do descanso.
Talvez, digamos, depois do Carnaval?
Promessas sem fatos - O candidato do Governo
Federal à Prefeitura paulistana é Fernando Haddad. Ele
ocupou o Ministério da Educação durante seis anos e meio,
nos Governos Lula e Dilma. Além de organizar o Enem, com os
resultados que se conhecem, cabia a ele comandar o
Proinfância, órgão do Fundo Nacional de Desenvolvimento da
Educação responsável pela construção de creches. A candidata
Dilma Rousseff prometeu entregar 6.427 creches.
Em mais de um ano de Governo Dilma, e conhecendo a máquina
do Ministério da Educação, onde já estava faz tempo, Haddad
não conseguiu completar nenhuma creche - ou, para usar a
línguagem publicitária oficial, ficou no Creche Zero.
O nome e a coisa - A região de Pinheirinho, em
São José dos Campos, SP, começou a ser ocupada em 2004 (há
quem fale em 2002, mas se houve algo mais cedo foi pequeno).
Quem estava na Presidência? O PT, que continua lá. Quem
estava no Governo? O PSDB, que continua lá. Quem estava na
Prefeitura? O PSDB, que continua lá. Então, toda a discussão
a respeito de "barbárie", de "império da lei", essas coisas,
tudo não passa de conversa mole: todos tiveram tempo
suficiente para cuidar do caso antes que se transformasse em
emergência. Mas um prefere jogar a culpa no outro em vez de
resolver o problema. Trabalhar cansa.
E ter a idéia de marcar as crianças desalojadas com faixas
amarelas, como em campos de concentração, é repulsivo.
Frase notável - Da Internet, acompanhando um
desenho que não vamos reproduzir neste jornal familiar, uma
grande definição política: "O PSDB leva no bolso; o DEM leva
na meia; o PT leva na cueca; e o povo leva no mesmo lugar de
sempre".
Onde está o dinheiro - Faz mais de um ano que
a região serrana do Rio foi atingida por chuvas e enchentes,
que provocaram desbarrancamentos e tiraram de seus lares
alguns milhares de pessoas. Neste ano, nada havia sido
feito; as chuvas e enchentes já atingem uma área devastada e
desprotegida. Nada foi feito, explicam-nos as autoridades
fluminenses, por falta de dinheiro (e aquele que havia ficou
pelo caminho, gerando até processos contra prefeitos e um ou
outro afastamento).
Mas dinheiro para propaganda, isso há: o Governo fluminense,
dirigido pelo peemedebista Sérgio Cabral Filho, colocou duas
caríssimas páginas de publicidade na revista americana
Foreign Affairs, especializada em Relações
Internacionais. E não ficou nisso, que Estado rico de país
rico não regula micharia: colocou também um anúncio do
Governo do Rio na edição de Internet da revista.
Veja a publicidade que você pagou
Boa notícia - Uma molécula nova, que acaba de
ser homologada na Itália, é a nova esperança na luta contra
o Mal de Alzheimer. A molécula será a base de uma vacina
capaz de provocar, espera-se, uma reação do organismo contra
a doença. Não é nada para já, claro: são necessárias outras
homologações (como a da FDA americana) e, cumprido esse
processo, começam os testes, para só mais tarde se pensar em
oferecer a vacina no mercado.
Mas já é uma esperança.
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