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“Meu pai foi comerciante na cidade, onde quase todos se
conheciam, pois meus avós, filhos de imigrantes italianos,
haviam nascido na cidade e região. Meus primeiros estudos
foram no Colégio Santo André e depois no Colégio São José
dos padres Agostinianos, onde de ambos e do núcleo familiar,
trago as melhores lembranças.” Afirmou Canizza (foto), hoje
diretor cultural da Fundação Cultural Cassiano Ricardo, de
São José dos Campos.
Quando
saiu e porque?
- Mudamos para São José dos Campos, trazidos pelo entusiasmo
de minha irmã, que formada em ciências biológicas, encontrou
aqui muitas oportunidades, isto em julho de 1978, e já em
1979 foi minha vez de vir para trabalhar na Secretaria de
Planejamento da Prefeitura Municipal. O prefeito era o
Joaquim Bevilacqua e lá aprendi muito e onde, até hoje,
tenho grandes e queridos amigos, mas nossa ligação com São
José remonta ao começo dos anos 60 quando vínhamos passar
férias na casa de parentes que aqui já residiam.
Qual a
diferença entre a região de São José do Rio Preto e a de São
José dos Campos/ Vale do Paraíba?
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São
regiões diferentes, Rio Preto é formada basicamente por
comerciantes e fazendeiros com aquela chamada “sociedade
tradicional”, apesar de hoje, por conta da Faculdade de
Medicina, ter se tornado um grande pólo na área da saúde, já
São José dos Campos, pelo fato de ter seu passado ligado à
fase sanatorial e depois aos institutos de pesquisas e
importantes industrias e tido um “boom” populacional muito
grande nos anos 60 e 70, têm uma estrutura social diferente,
mais próxima de grandes centros e misturado à deliciosa
tradição do Vale do Paraíba a torna
extremamente saborosa. Sou um apaixonado por esta cidade e
pela
região.
Quando
ingressou na Univap e por quanto tempo ficou na universidade?
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Logo
que aqui cheguei, procurei um coral para cantar e me
inscrevi no Madrigal Musicaviva, pois, além da minha
formação em engenharia, também sou formado em piano e
regência coral. Foi lá que conheci Dona Mery Bassi que me
convidou para montar um coral na Univap -antiga FVE - isto
em 1981. Fui apresentado ao Prof. Baptista Gargione, e
quando ele soube do meu currículo me convidou para, além de
organizar o coral, ajudar no processo de reabertura da
antiga Faculdade de Arquitetura Elmano Ferreira Veloso, o
que prontamente aceitei e lá fiquei até o ano de 2000.
Que
funções exerceu na Univap?
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Fui,
além de regente do coral, chefe do Departamento de
Arquitetura e Urbanismo (por duas vezes); coordenador de
Atividades Culturais; chefe do DRAE – Departamento de
Recursos Auxiliares de Ensino, além de ministrar aulas nas
faculdades de Engenharia, Arquitetura e também no Colégio
Técnico.
Como
foi a sua experiência na Univap, o que viu de bom e o que o
desagradou?
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Tínhamos, num primeiro momento, um grupo especial
de professores que acreditava muito no projeto de transformar
as antigas Faculdades Integradas de São José dos Campos, numa
boa universidade à altura de São José dos Campos. O que
aconteceu foi que, com sua transformação em universidade e
com a constante recondução do Prof. Baptista Gargione na
reitoria, a Univap ganhou muito em espaço físico, mas perdeu
muito na qualidade de ensino, mas, por questões de estratégia, o
reitor foi dissolvendo todo este grupo de professores, pois
não pactuávamos com os rumos que a instituição estava
tomando.
O
reitor Baptista Gargione é taxado de autoritário? O que diz
disso! -
Acredito que o maior problema do Prof. Baptista foi o de, na
medida que aumentava o seu poder, confundia a
questão do “público x privado”; tratando a Univap
como se fosse o dono absoluto dela, afastando aqueles que
contrariavam as suas ordens. Isto foi e é um verdadeiro perigo.
Quem
desagradar o reitor é demitido? Como isto ocorre?
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Sem
sombra de dúvidas, todos sabem que contrariá-lo significa
ser perseguido e, na primeira oportunidade, é mandado embora
sem o menor constrangimento.
Pessoalmente sentiu-se perseguido ou assediado pelo reitor
Baptista Gargione?
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Fui,
junto com o Prof. Dino Beghetto, um dos primeiros a sofrer
esta perseguição. Sob a alegação de que não tínhamos ainda o
titulo de Mestrado (apesar de que na época estávamos
fazendo), nos mandou das Faculdades para o Colégio Técnico,
este, aliás, é um dos métodos usados pelo reitor que, antes
de mandar embora, força uma demissão espontânea e mais, outra
questão é o uso de “dois pesos e duas medidas”, ou seja,
quem não o contraria ou se for parente “pode tudo”, e para quem
“ousa” contrariá-lo ele usa de toda forma de pressão e
perseguição.
Devido
às pressões sofridas, um professor que se tornou seu amigo
teve um avc e veio a falecer, o que pode dizer disso?
- A pessoa em questão é o Prof. Dino Beghetto. Seria leviano
de minha parte atribuir ao reitor as razões de seu
falecimento, o que tínhamos era uma parceria em nossos
“conteúdos programáticos”: eu lecionava projeto
arquitetônico para a engenharia e arquitetura e o Prof. Dino,
cálculo estrutural.
Enquanto eu desenvolvia os projetos arquitetônicos com os
alunos, ele fazia com que eles aprendessem a fazer o
pré-dimensionamento estrutural. Este sistema de “cadeiras
integradas” dava um excelente resultado acadêmico, portanto,
nada justificou esta truculência.
Ficamos atônitos com a atitude do reitor e a conivência dos
outros professores, sem contar que enquanto tínhamos que dar
aulas no Colégio Técnico, seu filho era mandado para os
Estados Unidos, para fazer o mestrado, contrariando uma
prática internacional de que, não se justifica fazer
mestrado fora, quando têm cursos similares e de boa
qualidade em nosso país, o que era o caso, e tudo isto com o
dinheiro dos alunos da Univap.
Quando
deixou a Univap e porque?
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Fui
dispensado das minhas funções quatro dias depois de ter
apresentado a minha dissertação de mestrado. Quanto às razões,
acredito que minha presença não interessava mais ao reitor,
apesar de ter sido um bom professor nas disciplinas que
lecionei, foi mais uma atitude truculenta, dentre as
muitas deste senhor.
Um
grupo de ex-professores da Univap apresentou à Justiça
várias acusações contra Baptista Gargione Filho e alguns de
seus familiares, o que pode dizer a respeito?
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São
fatos concretos de desmandos, autoritarismo e favorecimento
a parentes e amigos. São acusações gravíssimas.
Em
representação ao Ministério Público Paulista, o advogado
Helio Bicudo pediu o afastamento do reitor Baptista Gargione
Filho e da diretoria da Univap, o que acha disso?
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Acredito que o jurista Hélio Bicudo teria encontrado
fortes indícios de irregularidade nos atos do reitor e da
diretoria para ter pedido o afastamento.
Um
documento de 02 de abril de 2007, com vinte e uma
assinaturas, inclusive a sua, apontando irregularidades na
Univap, foi enviado ao ministro da educação Fernando Haddad,
o que pode dizer sobre isso? O ministro tomou conhecimento
do documento? Se tomou, quais foram às providências?
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É um
documento muito sério com provas das
irregularidades, pois, quem o lê, fica estarrecido. Espero
que o ministro tenha tido conhecimento e tome alguma
providência, uma vez que tudo foi feito em respeito ao aluno da Univap que paga com
sacrifício a mensalidade, e a cidade que merece uma
universidade séria que não seja feita só de bonitos prédios,
mas com educação de qualidade.
Uma
comissão do MEC visitou a Univap nos dias 13, 14 e 15 de
dezembro, tem conhecimento disso? A quem devemos nos dirigir
para saber como foi a visita?
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Tive
conhecimento através de notícias em jornais da visita do
MEC. Quanto a quem me dirigir para saber como foi, não
saberia dizer.
Alguns
professores envolvidos nos fatos estão sofrendo ameaças por
telefone, já lhe ocorreu isso?
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Não.
Tudo o que tinha que acontecer comigo já aconteceu, ou seja,
fui rebaixado em minhas funções e posteriormente demitido.
Infelizmente somos obrigados a conviver com muita
impunidade, sinceramente, o que acha de tudo isso? Acredita
que serão tomadas medidas que possibilitem a apuração dos
fatos?
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Sou um
eterno esperançoso de que um dia “o bem vença o mal” e se
faça justiça. A cidade merece, o país merece, nós todos
merecemos.
Na sua
opinião, quais as providências que devem ser tomadas em
relação à Univap?
- Fizemos o que tinha que ser feito, não nos calamos, cabe
agora à Justiça analisar as denuncias e tomar as medidas
necessárias e corretas.
Fale com José Roberto Canizza Filho:
<dircultural@fccr.org.br>
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Acassio Costa é advogado -
acassio@vejosaojose.com.br |