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Na
tarde da sexta, 17, os vereadores Cristóvão Gonçalves,
Cristiano Pinto Ferreira (PSDB), João Tampão (PR), Luiz Mota
(DEM), Wagner Balieiro (PT) e Walter Hayashi (PSB) receberam
alguns professores que foram reclamar um posicionamento da
edilidade em face às graves denuncias ao Ministério Público
contidas no Inquérito civil 260/06.
Ausente - O vereador Carlos Alberto Macedo Bastos (DEM),
que representa a Câmara no Conselho Deliberativo da Fundação
Valeparaibana de Ensino, não compareceu ao encontro.
A
crise na universidade se arrasta e agravou-se no mês passado
quando o reitor demitiu por “justa causa” cinco professores
que assinaram um manifesto de apoio à investigações do
Ministério Público. Gargione também mandou lacrar o
Instituto de Pesquisas da Univap onde funcionavam mais de
quarenta laboratórios, entre eles o que realizava pesquisas
com genoma humano, chefiado pelo Professor Doutor Francisco
Gorgônio da Nóbrega, um dos demitidos.
Além
de Nóbrega, estiveram no legislativo joseense os professores
Antonio Guillermo Balbin Villaverde, Márcio Magini, Marcos
Tadeu Tavares Pacheco, Álvaro Alves de Queiroz e Darwin
Bassi.
Os
parlamentares admitiram a possibilidade de acionar o
Ministério Público e até de instaurar uma CEI (Comissão
Especial de Inquérito) para apurar as denúncias. O
presidente da Comissão de Educação, vereador Cristóvão
Gonçalves (PSDB), se mostrou preocupado com a situação da
Univap e chegou a afirmar que, - “Ela envolve a queda da
qualidade do ensino na Instituição e possíveis desvios de
recursos.”
Título
de cidadão
- No ano passado, a Câmara aprovou por unanimidade um título
de cidadão joseense à Gargione e ainda agraciou sua filha,
Maria Angélica Gargione, com uma medalha de honra ao mérito
educativo, um projeto da vereadora amélia Naomi (PT).
Bancada do amém -
Os vereadores obedecem cegamente ao prefeito Eduardo Cury
que destina milhões de reais à Univap pela administração de
creches na Zona Sul e Norte da cidade onde a gestão Gargione
é acusada de colocar gente despreparada para cuidar das
crianças.
Mamulengos -
As mesmas creches eram administradas pela Ong Mamulengos,
ligada ao vereador Juvenil, e denunciada à Justiça por
envolvimento em escândalo financeiro.
Envolvimento de gente conhecida
- O caso da Univap vai dar muito pano para manga. Além da
Câmara e Prefeitura Municipal envolve gente do INPE, do ITA,
da Associação Comercial, Associação dos Engenheiros, da OAB,
do Lions, do Rotary e outras entidades com assento no
Conselho da Fundação Valeparaibana de Ensino.
Bolsas
de estudo -
Na mesma Câmara onde foi realizada a reunião da sexta,
muitos vereadores já estão assustados com um possível
divulgação dos envolvidos na distribuição de bolsas de
estudos da Univap que aconteceria há muitos anos.
João
Alckmim
– Na manhã desse sábado, 17, acompanhamos a entrevista do
professor Francisco Nóbrega na Radio Piratininga onde ele
voltou a externar a sua opinião sobre a gestão Gargione ao
radialista João Alckmim, no Programa Show Time; - "A Univap vem sendo tratada como uma fábrica de
parafusos. Ela não é uma propriedade particular. É um
patrimônio da cidade, com a demissão dos cientistas quem
perde é a universidade e, principalmente, a comunidade joseense.”
Sobre
a reunião na Câmara
– Inicialmente, achei que foi positivo. A preocupação da
Câmara demonstra que o assunto gerou interesse e a edilidade
se movimentou. Eu, particularmente, tinha a
impressão de que a Câmara achava a gestão Gargione uma
maravilha. Quando ela se manifestava era para dar título de
cidadão e outras homenagens. Algo estranho, pois há bastante tempo a
imprensa vem noticiando as denúncias, inclusive a abertura
de inquérito civil por parte do Ministério Público, em
agosto do ano passado. Isso é muito grave, motivo suficiente
para chamar a atenção da Câmara que somente aconteceu agora.
A
Câmara Municipal tem um vereador representante no conselho
da Fundação, o que ele disse?
– É o vereador Macedo Bastos que não se fez presente à
reunião, isso foi ressaltado na publicação do jornal
valeparaibano. É estranho, presumo que ele tenha muita coisa
a contar.
E
sobre a distribuição de bolsas de estudos da Univap?
– É algo que circula, falam numa determinada quantidade de
bolsas colocada a disposição de alguns vereadores para serem
distribuídas como filantropia, fora do critério acadêmico, foi comentado na reunião.
O
professor Marcos Tadeu Tavares Pacheco se pronunciou na
reunião?
– Ele falou especificamente sobre o grupo de pesquisas dele
que foi desmantelado. Na reunião, se discutiu de tudo um
pouco.
E o
Professor Darwin Bassi?
– Ele ressaltou que as suas denúncias começaram no ano 2000.
Que prosperaram somente agora, após as denúncias do
Professor Elcio Nogueira.
E
sobre a Univap estar administrando algumas creches
municipais?
– O assunto foi colocado, inclusive o fato de alunos não especializados
estarem recebendo bolsas para, em troca, trabalhar nas
creches e até colocados nas contas da filantropia, isso tem
que ser investigado.
Na
manhã da sexta, dia 16, o senhor, os professores Élcio
Nogueira e Darwin Bassi estiveram na Procuradoria do MP, em
São Paulo, o que aconteceu lá?
– Estivemos com o Dr. Helio Bicudo e depois com o Procurador
Geral do MP, Dr. Fernando Grella Vieira, e fomos bem
atendidos. Nos garantiram que estão olhando com muito
carinho as investigações e que existem todas as condições
para
apoiar os promotores de São José no que for necessário na
realização das diligencias específicas.
Na sua
opinião, o que pode resultar de tudo isso?
– Se os vereadores agirem, vão sinalizar à população que a
Câmara está tomando providências que deveriam ter sido tomadas há
mais tempo. A nossa esperança é uma ação enérgica do
Ministério Público.
E qual
seria a solução para a Univap?
– É só uma, a intervenção judicial com afastamento da gestão
Gargione que já fez o suficiente para ser obrigada a
abandonar a Fundação Valeparaibana de Ensino e a própria
Univap, para o bem da comunidade joseense e do Vale do
Paraíba. -
Saia mais
(*)
Acassio Costa é advogado -
acassio@vejosaojose.com.br
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