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O mais estranho nisso tudo é o silêncio do Ministério da
Educação, do Ministério da Ciência e Tecnologia, do CNPq, da
Universidade de São Paulo, dos órgãos governamentais de
informação e Segurança Pública que não se manifestaram até
agora.
Por que foram paralisadas as pesquisas em projetos de alta
tecnologia, considerados secretos e de segurança
nacional? Os dirigentes de uma
Universidade Pública são obrigados a informar sobre tudo que
lá acontece, sob pena de, amanhã ou depois, serem acusados
de conivência, prevaricação e até de crime lesa Pátria.
Por incrível que possa parecer, nenhum dos conselheiros da
Fundação Valeparaibana de Ensino se posiciona, sequer
atendem o telefone.
As
acusações se avolumam, no dia 13 de fevereiro último,
entrevistamos Antonio Garcia Ramos, 38, um engenheiro
extremamente magoado pela maneira como foi tratado pela
direção da UNIVAP.
Você é engenheiro?
– Sim, sou engenheiro mecânico pela Escola de Engenharia
Industrial de São José dos Campos, a ETEP.
Nasceu
onde?
– Em São Paulo, no bairro do Jabaquara. Comecei a estudar
por lá e me formei pela Escola Senai Suíço Brasileira de
Mecânica de Precisão.
Como veio parar em São José dos Campos?
– Vim fazer um estágio, em 1988, no IEAv – Instituto de Estudos
Avançados, do CTA - acabei fazendo um curso noturno
na ETEP, onde me formei no final de 1999.
Como foi trabalhar na UNIVAP?
– Em 2000, um dos pesquisadores indicou o professor
Élcio Nogueira, que me convidou para participar do projeto
do Túnel de Choque Hipersônico e a implementação de um
Laboratório de Hipersônica que seria o primeiro da América
Latina, com objetivo de reforçar o curso de Engenharia
Aeroespacial e outros cursos.
Quando foi isso?
– Foi no começo de 2001 - fiz o projeto do equipamento e
corremos atrás das empresas da região que pudessem
fabricá-los.
Quem participava?
Lá estavam o Professor Élcio e o Engenheiro Paulo Toro que,
atualmente, é o gerente de Hipersônica do IAV. Vieram depois
o Professor Manolo, o Humberto, o Marcos Pedras, o Mariano e
sua esposa Lucília, a Heide, todos do grupo de Mecânica. -
Da Engenharia de Materiais, os professores Ana Paula
Fonseca, Kátia Regina Cardoso, Roselena, Vilian Sinka,
Vitor, o Fernando e outros dentro do grupo montado pelo
Professor Élcio.
Qual era o objetivo?
– Foi de formar um núcleo multidisciplinar de Engenharia e
Pesquisa associado à Faculdade de Engenharia e Arquitetura.
Para isso, o Élcio conseguiu para a UNIVAP a doação do Túnel
de Vento Subsônico, da Universidade de São Carlos,trazendo profissionais de várias áreas do CTA, do IAV, de
São Carlos etc. Quando o projeto é bom o pessoal se
interessa realmente e quer colocar em prática tudo que foi
aprendido.
Como estavam os trabalhos?
– O laboratório foi montado com sucesso, eu tive um trabalho
publicado, no Vigésimo Terceiro Simpósio Internacional de
Ondas de Choque. Estávamos no início do processo de
montagem de um laboratório de alto nível ,com dois
equipamentos;- um Túnel de Vento Subsônico de uso contínuo,
que é usado para velocidades até 300 km/hora, para ensaio
de movimento de um automóvel,e outro seria o primeiro Túnel de Choque da América Latina com velocidades
de cinco a vinte e cinco vezes a velocidade do som.
Qual a utilidade do projeto?
- O uso civil seria para desenvolvimento de foguetes para
lançamentos de satélites de comunicação e pesquisa. No
militar, para o desenvolvimento de mísseis balísticos.
Trata-se de um Túnel de Vento com características
diferentes, ele é pulsado e, apesar dos testes serem de
curta duração, consegue resultados suficientes para fazer
uma extrapolação do comportamento do corpo nas velocidades
estabelecidas. Foi desenvolvido para testar a reentrada de
naves espaciais na atmosfera.
Onde entra a Fapesp?
– Ia ser montado um projeto junto à Fapesp, orientado pelo
Professor Paulo Toro, visando obtenção de recursos
para viabilizar o uso do Túnel. O custo, na época, foi
estimado em um milhão de dólares. A UNIVAP entraria com as
instalações e com o dinheiro da Fapesp seriam adquiridos os
compressores de alta pressão, bombas de vácuo,
instrumentação etc. O Professor Toro chegou a enviar o
projeto.
E porque não deu certo?
– Começaram os boicotes internos graças a um confronto entre
o Professor Élcio e o Professor Marcos Tadeu, do IP&D, que
se juntou ao diretor da Engenharia o Francisco Pinto
Barbosa, com a cobertura do reitor.
O que realmente estaria por detrás do boicote ao Professor
Élcio?
Acho que foram duas coisas, a primeira o processo de
maquiagem que a UNIVAP faz, não só com os nossos
laboratórios, onde eles mostravam que tinham a intenção de
montar alguma coisa brilhante, com apoio da Fapesp, do CTA ou
do INPE, para que o Ministério da Educação homologasse os
cursos, como aconteceu com o de Engenharia Aeroespacial e
outros, a partir da homologação, pois, os
investimentos eram desviados e as pessoas deslocadas para
outras áreas.
Então entrava a picaretagem?
– Isso mesmo, pura picaretagem,- dispensavam os bons
professores, colocavam iniciantes com salários baixos e ia
tudo por água abaixo.
Como você vê o MEC no meio de tudo isso?
– Alguns representantes do MEC estiveram na UNIVAP, mas, logo
depois foram cancelados os cursos de Mestrado da Engenharia
Mecânica, por falta de estrutura necessária e o de Biologia.
Trata-se de um procedimento do Ministério da Educação, eles
chegam no início do curso e voltam no meio. Vi essas visitas
no curso de Engenharia de Materiais e no de Engenharia
Aeroespacial.
E o que aconteceu com você?
– Fui tirado das funções do Laboratório em 2002, em
seguida, me colocaram para preparar retro projetores e vídeos
em salas de aulas, para os professores. Isso com salário de
engenheiro. Através da intervenção do Prof. Élcio, retornei
ao laboratório para tentar continuar a montagem e, ao mesmo
tempo, auxiliava os outros professores do Núcleo na condução
de experimentos didáticos, para os alunos. Isso contrariava o
diretor da FEAU - fui demitido.
Quando?
– Foi no final de 2003, recebi um telefonema da Jaqueline, a
secretária da Faculdade de Engenharia, dizendo para que
entrasse em contato com o Maurício, do Departamento Pessoal.
Eu liguei, ele me chamou e disse que o meu contrato estava
rescindido. A justificativa foi a de corte de despesas, mas,
logo em seguida, a UNIVAP renovou a frota de veículos.
E depois?
– Eu continuei trabalhando no CTA, onde foi desenvolvido o
primeiro projeto do Túnel Hipersônico, - participei da
montagem, em novembro de 1992.
O que faz atualmente?
- Fui convidado pelo Dr.Lisboa, para voltar a um grupo que se
dedica à fabricação de giroscópios da fibra ótica, - uma
tecnologia desenvolvida dentro do próprio CTA, utilizada
pela Optsensys - Instrumentação Óptica e Eletrônica -
http://www.optsensys.com.br
Fale com Antonio Garcia Ramos:
ag.ramos@terra.com.br
Voltamos a procurar a
direção da UNIVAP e ninguém quis se manifestar sobre as
declarações do Engenheiro Antonio Garcia Ramos. Com a
palavra o reitor Baptista Garigione, o Professor
Francisco Pinto Barbosa e o Professor Marcos Tadeu Tavares
Pacheco.
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(*) Acassio Costa é advogado -
acassio@vejosaojose.com.br |