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  25.01.2008 00h.10  
  Boicotes na UNIVAP
As denúncias contra a atual gestão da Universidade do Vale do Paraíba são gravíssimas, envolvem o reitor Baptista Gargione, seu filho Luiz Antonio Gargione, a filha, o genro, o vice reitor Antonio Teixeira Junior, professores, conselheiros, funcionários e até lobistas em Brasília.

Acassio Costa (*)

 

O mais estranho nisso tudo é o silêncio do Ministério da Educação, do Ministério da Ciência e Tecnologia, do CNPq, da Universidade de São Paulo, dos órgãos governamentais de informação e Segurança Pública que não se manifestaram até agora.

Por que foram paralisadas as pesquisas em projetos de alta tecnologia,  considerados secretos e de segurança nacional? Os dirigentes de uma Universidade Pública são obrigados a informar sobre tudo que lá acontece, sob pena de, amanhã ou depois, serem acusados de conivência, prevaricação e até de crime lesa Pátria.

Por incrível que possa parecer, nenhum dos conselheiros da Fundação Valeparaibana de Ensino se posiciona, sequer atendem o telefone.

Antonio Garcia Ramos - Foto: Ricardo FariaAs acusações se avolumam, no dia 13 de fevereiro último, entrevistamos Antonio Garcia Ramos, 38, um engenheiro extremamente magoado pela maneira como foi tratado pela direção da UNIVAP.

Você é engenheiro? – Sim, sou engenheiro mecânico pela Escola de Engenharia Industrial de São José dos Campos, a ETEP.

Nasceu onde? – Em São Paulo, no bairro do Jabaquara. Comecei a estudar por lá e me formei pela Escola Senai Suíço Brasileira de Mecânica de Precisão.

Como veio parar em São José dos Campos? – Vim fazer um estágio, em 1988, no IEAv – Instituto de Estudos Avançados, do CTA - acabei fazendo um curso noturno na ETEP, onde me formei no final de 1999.

Como foi trabalhar na UNIVAP? – Em 2000, um dos pesquisadores indicou o professor Élcio Nogueira, que me convidou para participar do projeto do Túnel de Choque Hipersônico e a implementação de um Laboratório de Hipersônica que seria o primeiro da América Latina, com objetivo de reforçar o curso de Engenharia Aeroespacial e outros cursos.

Quando foi isso? – Foi no começo de 2001 - fiz o projeto do equipamento e corremos atrás das empresas da região que pudessem fabricá-los.

Quem participava?  Lá estavam o Professor Élcio e o Engenheiro Paulo Toro que, atualmente, é o gerente de Hipersônica do IAV. Vieram depois o Professor Manolo, o Humberto, o Marcos Pedras, o Mariano e sua esposa Lucília, a Heide, todos do grupo de Mecânica. - Da Engenharia de Materiais, os professores Ana Paula Fonseca, Kátia Regina Cardoso, Roselena, Vilian Sinka, Vitor, o Fernando e outros dentro do grupo montado pelo Professor Élcio.

Qual era o objetivo? – Foi de formar um núcleo multidisciplinar de Engenharia e Pesquisa associado à Faculdade de Engenharia e Arquitetura. Para isso, o Élcio conseguiu para a UNIVAP a doação do Túnel de Vento Subsônico, da Universidade de São Carlos,trazendo profissionais de várias áreas do CTA, do IAV, de São Carlos etc. Quando o projeto é bom o pessoal se interessa realmente e quer colocar em prática tudo que foi aprendido.

Como estavam os trabalhos? – O laboratório foi montado com sucesso, eu tive um trabalho publicado, no Vigésimo Terceiro Simpósio Internacional de Ondas de Choque. Estávamos no início do processo de montagem de um laboratório de alto nível ,com dois equipamentos;- um Túnel de Vento Subsônico de uso contínuo, que é usado para velocidades até 300 km/hora, para  ensaio de movimento de um automóvel,e outro seria o primeiro Túnel de Choque da América Latina com velocidades de cinco a vinte e cinco vezes a velocidade do som.

Qual a utilidade do projeto? - O uso civil seria para desenvolvimento de foguetes para  lançamentos de satélites de comunicação e pesquisa. No militar, para o desenvolvimento de mísseis balísticos. Trata-se de um Túnel de Vento com características diferentes, ele é pulsado e, apesar dos testes serem de curta duração, consegue resultados suficientes para fazer uma extrapolação do comportamento do corpo nas velocidades estabelecidas. Foi desenvolvido para testar a reentrada de naves espaciais na atmosfera.

Onde entra a Fapesp? – Ia ser montado um projeto junto à Fapesp, orientado pelo Professor Paulo Toro, visando obtenção de recursos para viabilizar o uso do Túnel. O custo, na época, foi estimado em um milhão de dólares. A UNIVAP entraria com as instalações e com o dinheiro da Fapesp seriam adquiridos os compressores de alta pressão, bombas de vácuo, instrumentação etc. O Professor Toro chegou a enviar o projeto.

E porque não deu certo? – Começaram os boicotes internos graças a um confronto entre o Professor Élcio e o Professor Marcos Tadeu, do IP&D, que se juntou ao diretor da Engenharia o Francisco Pinto Barbosa, com a cobertura do reitor.

O que realmente estaria por detrás do boicote ao Professor Élcio? Acho que foram duas coisas, a primeira o processo de maquiagem que a UNIVAP faz, não só com os nossos laboratórios, onde eles mostravam que tinham a intenção de montar alguma coisa brilhante, com apoio da Fapesp, do CTA ou do INPE, para que o Ministério da Educação homologasse os cursos, como aconteceu com o de Engenharia Aeroespacial e outros, a partir da homologação,  pois, os investimentos eram desviados e as pessoas deslocadas para outras áreas.

Então entrava a picaretagem? – Isso mesmo, pura picaretagem,- dispensavam os bons professores, colocavam iniciantes com salários baixos e ia tudo por água abaixo.

Como você vê o MEC no meio de tudo isso? – Alguns representantes do MEC estiveram na UNIVAP, mas, logo depois foram cancelados os cursos de Mestrado da Engenharia Mecânica, por falta de estrutura necessária e o de Biologia. Trata-se de um procedimento do Ministério da Educação, eles chegam no início do curso e voltam no meio. Vi essas visitas no curso de Engenharia de Materiais e no de Engenharia Aeroespacial.

E o que aconteceu com você? – Fui tirado das funções do Laboratório em 2002, em seguida, me colocaram para preparar retro projetores e vídeos em salas de aulas, para os professores. Isso com salário de engenheiro. Através da intervenção do Prof. Élcio, retornei ao laboratório para tentar continuar a montagem e, ao mesmo tempo, auxiliava os outros professores do Núcleo na condução de experimentos didáticos, para os alunos. Isso contrariava o diretor da FEAU - fui demitido.

Quando? – Foi no final de 2003, recebi um telefonema da Jaqueline, a secretária da Faculdade de Engenharia, dizendo para que entrasse em contato com o Maurício, do Departamento Pessoal. Eu liguei, ele me chamou e disse que o meu contrato estava rescindido. A justificativa foi a de corte de despesas, mas, logo em seguida, a UNIVAP renovou a frota de veículos.

E depois? – Eu continuei trabalhando no CTA, onde foi desenvolvido o primeiro projeto do Túnel Hipersônico, - participei da montagem, em novembro de 1992.

O que faz atualmente? - Fui convidado pelo Dr.Lisboa, para voltar a um grupo que se dedica à fabricação de giroscópios da fibra ótica,  - uma tecnologia desenvolvida dentro do próprio CTA, utilizada pela Optsensys - Instrumentação Óptica e Eletrônica - http://www.optsensys.com.br

Fale com Antonio Garcia Ramos: ag.ramos@terra.com.br

Voltamos a procurar a direção da UNIVAP e ninguém quis se manifestar sobre as declarações do Engenheiro Antonio Garcia Ramos. Com a palavra o reitor Baptista Garigione, o Professor Francisco Pinto Barbosa e o Professor Marcos Tadeu Tavares Pacheco.

Saiba mais: Humilhação na Univap - Aviões não tripulados - Americano denuncia Gargione - Canizza acusa Gargione - Fisioterapeuta quer diploma - Gargione de novo - Darwin Bassi denuncia Garione - Univap para inglês ver - Pro reitor aciona Univap - Doutora é demitida da UNIVAP - Mec Avalia Univap - Perseguição na UNIVAP

(*) Acassio Costa é advogado - acassio@vejosaojose.com.br


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