Precariedade de abrigo no Jardim
Morumbi leva famílias sem-teto a
improvisarem moradias de lona.
A falta de estrutura do ginásio
do Jardim Morumbi, na zona sul
de São José dos Campos, fez com
que os sem-teto alojados no
local improvisassem novas
“moradias” com barracos de lona.
A
justificativa, segundo eles, é a
falta de espaço para abrigar
todos que estavam, até semana
passada, dormindo em uma igreja.
Muitos sem-teto criaram em uma
parte do complexo, onde deveria
ser um campo de futebol,
barracos com lona, pedaços de
madeira e plástico. No local é
possível encontrar animais
--ontem, havia até um porco no
local.
Em
cada uma das moradias, que
possuem luz elétrica e até
televisão em alguns casos, vivem
pelo menos cinco pessoas, como é
o caso da auxiliar de serviços
gerais Maria Natalia Damasceno,
de 25 anos.
Ela mora em um dos barracos com
o marido e a filha de 5 anos,
mais a cunhada com o marido e a
filha, totalizando seis pessoas.
“Ontem \[anteontem\] a gente
começou a construir isso aqui
porque não tem como ficar lá
dentro do ginásio. Está lotado”,
disse. “A situação está tão
precária que está uma confusão
geral, para tomar banho
principalmente”, completou.
Uma das vizinhas de Maria
Natália é a doméstica Cícera
Esmeralda de Sousa, 29 anos, diz
que está doente, assim como os
dois filhos. Segundo ela, a
causa seria a comida servida no
alojamento.
“Tem um filho meu que está
doente, eu também estou. Meu
outro filho comeu a comida
servida aqui várias vezes e
passou muito mal”, disse.
Improviso -
Quem não conseguiu pedaços de
madeira para construir o
barraco, teve que construir uma
moradia usando plásticos e lona.
Foi assim que a faxineira Joana
D’arc de Moura, 43 anos, fez um
lugar para dormir com o marido,
os dois filhos e um cachorro,
aproveitando parte da cobertura
da raia de malha do
poliesportivo.
“Não tinha outro lugar para
ficar, aí arrumaram uma lona e
plásticos para mim, eu pendurei
no telhado e coloquei a cama. O
problema é que a gente passa
muito frio à noite”, disse
Joana, que teria perdido o
emprego por causa da
reintegração de posse.
Vestiário - Assim como
Joana, o caminhoneiro Luiz
Gonçalves dos Santos, 45, também
perdeu o emprego com a ação no
Pinheirinho. “Fiquei sem
trabalhar na semana passada e
fui demitido”.
Agora, ele, a mulher e os três
filhos de 9, 13 e 16 anos,
dividem o vestiário do complexo
esportivo com outros sem-teto. O
local, que também recebeu
adaptações elétricas, tem três
janelas, todas com os vidros
quebrados.
Quando chove, o casal, que dorme
na área onde ficam os chuveiros,
acaba se molhando.
“Estou doente por causa disso.
Essa situação não é humana”,
disse a dona de casa Ana Vieira
Campos, 35 anos.
OUTRO LADO
‘Ginásios oferecem boas
instalações’ - A
prefeitura informou, por meio de
nota, que os abrigos montados
para acolher os ex-moradores do
Pinheirinho oferecem “boas
instalações”, e contam com
equipes de limpeza e manutenção
24 horas por dia. A
administração municipal pondera,
no entanto, que o trabalho de
apoio social às famílias “tem
sido dificultado” pela atuação
de lideranças do movimento
sem-teto.
OS ABRIGOS
ginásios - Nos
quatro abrigos montados pela
prefeitura (Caic, Jardim
Morumbi, Vale do Sol e Campo dos
Alemães), os sem-teto passam a
noite em colchões espalhados em
ginásios
reclamações - Os
sem-teto reclamam da falta de
privacidade, da confusão no
momento de tomar banho e também
d excesso de sujeira nos
banheiros
Vale do Sol -
Neste abrigo, existe uma sala
reservada para as mães
amamentarem os filhos pequenos e
também um local exclusivo para
crianças.
OVALE