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Esse espaço
está a disposição para incentivar a discussão sobre a
qualidade da água servida aos moradores de São José dos
Campos. Leia, aprecie e mande a sua opinião.
Estudos mostram claramente que antibióticos,
anti-inflamatórios, antidepressivos, produtos químicos e
hormônios têm sido encontrados em níveis alarmantes nos rios
e lagos que abastecem as grande cidades.
Um sinal de que os sistemas de saneamento não dão conta da
complexidade de substâncias jogadas diariamente pelo ralo –
e de que podemos estar cada vez mais doentes.
Em São José dos Campos não é diferente, um exame no sangue
dos moradores que demonstre a incidência de toxinas em parte
por milhão é urgente. A responsabilidade é do Prefeito
Eduardo Cury e de sua secretária de saúde, Marina de
Oliveira.
Apesar da gravidade da situação, o prefeito municipal,
vereadores, deputados federais e estaduais, associações de bairro, associações de classe, ongs e lideranças comunitárias não se posicionam no sentido
de providenciar análises da água consumida pela população.
Nenhum jornalista ou radialista comenta o assunto. As
famosas verbas publicitárias da Prefeitura, Governo do
Estado, Sabesp, Votorantim, Monsanto, Petrobras, outras
empresas poluidoras, alem das fornecedoras da máquina
pública se encarregam de calar as bocas pequenas ou grandes
dos "comunicadores".
No dia 9 último voltamos a conversar com o geógrafo e
professor Ricardo Ferraz, um ferrenho defensor do meio
ambiente e da qualidade de vida.
Em plena Semana
do Meio Ambiente, como vê as comemorações
que
estão sendo feitas?
Ricardo Ferraz – Não dá para comemorar nada, muito pelo
contrário, é uma época de reflexão como é a das mulheres que
foram mortas num incêndio de uma indústria americana. Em
defesa do Meio Ambiente muita gente já morreu como o Chico
Mendes, a irmã Doroty, centenas de caciques indígenas,
ambientalistas, entre eles dois amigos meus assassinados. A
defesa ambiental é uma luta séria.
Como vê o Meio Ambiente em São José dos Campos?
– Não vejo o Meio Ambiente especificamente em São José dos
Campos que está situada no médio Vale do Paraíba. A
limitação do desenvolvimento de Jacareí até Pindamonhagaba
onde se concentra o maior concentração de pessoas, São José
puxa os maiores investimentos e deixa o seu passivo
ambiental para as demais cidades. São José tem dois
decretos, um por área saturada por poluição atmosférica e
outro por causa do ozônio, dois decretos estaduais e não
apresenta relatórios sobre como está sendo administrada a
situação pelo Estado, pela Cetesb e a população desconhece
as implicações atuais.
Sem esses dados, como estão tocando a cidade?
– Acho que antes de tudo, antes de uma licença para a
expansão da Revap ou para uma plantação de eucalipto temos
que ter um planejamento seguro e não como o próprio Governo
Federal anda fazendo. E sim um planejamento muito bem
discutido, quando se licencia algo que terá implicações em
todo o Vale do Paraíba, com impacto mais próximo e direto
nas pessoas do entorno e o indireto que alcança distâncias
superiores a cem quilômetros. Mexendo com o rio Paraíba
teremos impactos em centenas de quilômetros.
Como vê o patrocínio e o apoio financeiro para a realização
dos
eventos na Semana do Meio Ambiente joseense por parte
Votorantim, da Petrobrás e de outras indústrias poluidoras?
– Acho que essas empresas estão funcionando de maneira
irregular e não podem continuar operando. Estamos cansados
de falar que o clima não muda, o que muda é o tempo. O local
é inadequado para o lançamento de grandes efluentes
atmosféricos. Não podemos aceitar esse tipo de indústria no
Vale do Paraíba, penso que elas deveriam ser desativadas e
fechadas. Assim como a matriz dos transportes deve ser
mudada junto com os combustíveis, precisamos de metrôs e
incentivo ao transporte coletivo. Precisamos de uma política
de despoluição e não a de controle de poluição.
E
todo esse passivo ambiental deixado pela Rodhia, a Kodak, a
LG e outras empresas poluidoras e a prefeitura não fala
nada?
– Precisamos de uma política ambiental mais efetiva. Na
verdade, a prefeitura tem poder de embargo através de leis e
decretos. Fora isso há as legislações estadual e federal de
apoio. Quanto aos passivos ambientais a posição da
prefeitura de São José é tímida. Precisamos de auditorias e
a paralisação de uma série de coisas que ocorrem como o
ultra dimensionamento de problemas ambientais. Temos algo
pequeno e até uma omissão por parte do governo municipal. Na
questão do eucalipto, por exemplo, já temos quatro processos
contra no Ministério Público Estadual, Federal e já
solicitamos o apoio da Defensoria Pública.
Você esteve recentemente em São Luiz do Paraitinga, como
está a questão do plantio de eucalipto no município?
–
É um monstro, tudo sem relatório de impacto ambiental,
atingindo mais de vinte por cento da área municipal quando
existem limitações. Lá não poderia ser plantado nem cinco
por cento. Pela mesa geográfica que fizemos na USP com
vários especialistas, devido a situação de morrarias, as
áreas são de preservação ambiental permanente, produtoras de
água. Na maior parte dos municípios acontece o mesmo, em
alguns as plantações já atingem quarenta por cento como é o
caso de Santa Branca e Paraibuna. No Vale do Paraíba
caminhamos para ter trinta por cento da nossa área plantada
com eucalipto e pinus.
São José é o maior pólo tecnológico da América Latina, o que
acha do secretário do meio ambiente?
– Acho que o André Miragaia tem uma função a exercer. Vai
ter que ter uma política incisiva e maior. São José tem que
apresentar índices menores de poluição com políticas para
diminuir ainda mais. O impacto atmosférico é muito grande e
causa doenças respiratórias, principalmente no inverno, sem
chuvas e com grandes calmarias.
Quais são os vetores que trazem essas doenças?
– São as emissões dos veículos, da Revap e de outras
indústrias. A prefeitura tem que propor uma política para
controlar isso, o prefeito tem que chamar os fóruns
necessários para que haja até cerceamento. Mas, nesse ponto,
o prefeito é tímido.
Sabemos que a atmosfera de São José está comprometida por
agentes químicos, pelo enxofre, chumbo, cádmio e outros
produtos. Como vê o rio Paraíba e a qualidade da água
servida à população?
– Precisamos tomar conhecimento sobre o que vem ocorrendo
com o rio e que as pessoas não estão sabendo. O rio Paraíba
tem duas represas acima, Paraitinga e Paraibuna, depois a de
Santa Branca, embaixo. Nos anos de 1999 e 2000 houve uma
estiagem grande e o regime de vazão foi mexido para atender
o enchimento das barragens. Temos notado que a política de
vazão está errada, basta ver as réguas de medição. A vazão
ente 8 e dez meses por ano fica entre 30 e 40 metros cúbicos
por segundo quando deveria ficar entre 80 e 100 metros
cúbicos por segundo. É algo que os prefeitos não estão vendo
e a sociedade desconhece. A vazão maior foi estipulada nos
relatórios de impacto ambiental e representa água para
manter a flora e a fauna do rio.
O que está acontecendo é um roubo de água pelo Estado do Rio
de Janeiro, o grande responsável pela política errada do
Ceivap. As cabeceiras e as represas são paulistas e as
nossas cidades têm prioridade, o rio também, tem que ficar
oxigenado e despoluído. O Paraíba está com praticamente um
quarto do que era. Qualquer pescador mais velho sabe que o
rio sempre foi mais alto. Está havendo uma retenção de água
durante um período e depois se solta para abastecer o Funil
no verão carioca. No Rio não há um programa de contenção dos
desperdícios, principalmente dos proprietários de piscinas
onde muitos nem pagam pela água, uma extravagância total.
E quais as conseqüências pra o rio Paraíba? – Quando o rio
fica com uma vazão entre 80 e 100 metros cúbicos por minuto
se nota o aumento de peixes, diminui a poluição e deveria
continuar assim. A diminuição da vazão está matando o rio
com proliferação de matéria orgânica e o aumento do capim
capituba e outros. Com o rio baixo, não está havendo a
degradação dos lançamentos. O que nós precisamos é água para
o rio Paraíba que está sendo saqueado para a manutenção da
política errada de consumo do Rio de Janeiro.
E os limites de abastecimento do Paraíba?
– Temos que planejar isso. Não podemos incentivar que mais
pessoas e empresas consumam a água de um rio que já está com
um quarto de sua capacidade. Não dá para aumentar ou dobrar
a população de uma cidade nessas condições. Não vai haver
água num futuro próximo, dentro de 10 a 15 anos no
máximo.
A Sabesp não separa os produtos químicos, fármacos e
hormônios quanto trata a água do rio Paraíba, quais as
conseqüências disso?
– Num primeiro momento, nos exames da água estão faltando
vários parâmetros. Se os pesquisadores estão descobrindo que
há uma série de produtos afetando gravemente a saúde da
população, e que estão sendo lançados diretamente na água,
como é o caso dos metais pesados, agentes químicos,
organoclorados e hormônios e eles não estão retirados é
sinal que o próprio Estado está falhando, não está
considerando alguns parâmetros. É algo sério e tem que ser
discutido juridicamente.
Pode mudar o biotipo das pessoas?
– Claro, podemos ter impactos sérios. Tanto os hormônios
quantos os pesados são agentes cancerígenos e mexem com o
código genético, algo perigosíssimo quando se trata de água.
Tivemos problemas semelhantes na Inglaterra e outros países
onde não se retiravam esses produtos e alguns homens tiveram
queda de pelos, crescimento de mamas, mudança de voz e
outros.
Quais as providências a serem tomadas?
– Num primeiro momento tem que ficar bem claro que precisam
ser feitos exames comparados de várias fontes de água com
análises para detecção de organoclorados, metais pesados,
fármacos, hormônios e outros, em vários pontos do rio
Paraíba e levar a tona essa discussão. É algo que não pode
continuar. A prefeitura tem que tomar a frente e cobrar da
Sabesp para que faça isso e apresente os resultados. A
gestão política é da prefeitura e ela é responsável pela
saúde da população. Precisamos de exames comparativos de
três ou mais laboratórios idôneos, da própria Sabesp, da
Fiocruz, da USP, com amostras de vários locais,
acompanhamento e tomada de providências. Isso precisa ficar
bem claro, é algo perigosíssimo.
Fale com Ricardo Ferraz:
ricardocferraz@bol.com.br
NR-
Em Penápolis, SP, o Departamento de Água e Esgoto, publica
mensalmente na Internet um relatório mensal a respeito do
sistema de abastecimento de água de Penápolis, conforme
estabelece o Decreto Federal nº 5440/2005 –
www.daep.com.br
-
sac@daep.com.br
Responsável Legal:
Lourival Rodrigues dos Santos
Responsável Técnico:
Rosane F. C. Dantas - Bióloga - CRBio 14.595./01-D
Órgão responsável pela vigilância da
qualidade da água:
Serviço de Vigilância Epidemiológica e Sanitária de
Penápolis - Avenida Marginal Maria Chica, 306 // Telefone:
(018)3652-7802
Atendimento ao consumidor:
Estação de Tratamento de Água - Av. Adelino Peters, 217 -
Fone: (018)3654-6107 ou 0800-170195 -
Consulte também:
Associação Nacional dos Serviços Municipais
de Saneamento -
http://www.assemae.org.br/
Mais:
4Contaminação
do rio Paraíba
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Sabesp e o crime ambiental
4Alerta
sobre a água que bebemos
4Água
ou venenoII
Ricardo Faria - ricardo@vejosaojose.com.br |