SÃO JOSE DIA E NOITE

 

  FALE CONOSCO
 

 
     
 
  PRIMEIRA
  ECONOMIA
 
  POLÍTICA
  SAÚDE
  HUMOR
  OPINIÃO
  DENUNCIA
  EDUCAÇÃO
  ENTREVISTA
  ESPORTES
  CIÊNCIA
  INFORMÁTICA
  MEIO AMBIENTE
  GASTRONOMIA
  TODA MÍDIA
  EXPEDIENTE
  ED. ANTERIORES
  COLUNISTAS
  ACASSIO COSTA
  BÁRBARA LIA
  CORREA LIMA
  DELAMARE MC
  DIEGO RODRIGUES
  DORA DIMOLITSAS
  ELIÉZER ZAC
  FLÁBIA FARIA
  GABRIELA MORI
  GUSTAVO BARRETO
  JOCA FARIA
  JOSÉ R BESSA
  JOSÉ SESPEDES
  LIA SILVA
  LORA SALIBA
  PEDRO PORFÍRIO
  RICARDO FARIA
  RITA ELISA
  ROBSON MARQUES
  SYLVIO MICELLI
  SUPLEMENTOS
  DECORAÇÃO
  MULHER
  TURISMO
  S. JOSE DOS CAMPOS
  A CIDADE
  SUA HISTÓRIA
  SUA GENTE
  PERSONALIDADE
  GALERIA
  ESPAÇO USP
  TECNOLOGIA
  COMUNICAÇÃO
  PÉ NA ESTRADA
 

 

  22.06.2007 00h.01  
  Água ou veneno  "Hormônios na água trazem malefícios terríveis à saúde humana e as pessoas precisam tomar conhecimento disso." Dr. José de Castro Coimbra

Ricardo Faria (*)

 

Esse espaço está a disposição para incentivar a discussão sobre a qualidade da água servida aos moradores de São José dos Campos. Leia, aprecie e mande a sua opinião.

Estudos mostram claramente que antibióticos, anti-inflamatórios, antidepressivos, produtos químicos e hormônios têm sido encontrados em níveis alarmantes nos rios e lagos que abastecem as grande cidades. Um sinal de que os sistemas de saneamento não dão conta da complexidade de substâncias jogadas diariamente pelo ralo – e de que podemos estar cada vez mais doentes.

Em São José dos Campos não é diferente, um exame no sangue dos moradores que demonstre a incidência de toxinas em parte por milhão é urgente. A responsabilidade é do Prefeito Eduardo Cury e de sua secretária de saúde, Marina de Oliveira.

Apesar da gravidade da situação, o prefeito municipal, vereadores, deputados federais e estaduais, associações de bairro, associações de classe, ongs e lideranças comunitárias não se posicionam no sentido de providenciar análises da água consumida pela população. Nenhum jornalista ou radialista comenta o assunto. As famosas verbas publicitárias da Prefeitura, Governo do Estado, Sabesp, Votorantim, Monsanto, Petrobras, outras empresas poluidoras, alem das fornecedoras da máquina pública se encarregam de calar as bocas pequenas ou grandes dos "comunicadores".

No dia 9 último voltamos a conversar com o geógrafo e professor Ricardo Ferraz, um ferrenho defensor do meio ambiente e da qualidade de vida.

Em plena Semana do Meio Ambiente, como vê as comemorações Foto: Ricardo Ferrazque estão sendo feitas?                                    Ricardo Ferraz – Não dá para comemorar nada, muito pelo contrário, é uma época de reflexão como é a das mulheres que foram mortas num incêndio de uma indústria americana. Em defesa do Meio Ambiente muita gente já morreu como o Chico Mendes, a irmã Doroty, centenas de caciques indígenas, ambientalistas, entre eles dois amigos meus assassinados. A defesa ambiental é uma luta séria.

Como vê o Meio Ambiente em São José dos Campos?                     – Não vejo o Meio Ambiente especificamente em São José dos Campos que está situada no médio Vale do Paraíba. A limitação do desenvolvimento de Jacareí até Pindamonhagaba onde se concentra o maior concentração de pessoas, São José puxa os maiores investimentos e deixa o seu passivo ambiental para as demais cidades. São José tem dois decretos, um por área saturada por poluição atmosférica e outro por causa do ozônio, dois decretos estaduais e não apresenta relatórios sobre como está sendo administrada a situação pelo Estado, pela Cetesb e a população desconhece as implicações atuais.

Sem esses dados, como estão tocando a cidade?                           – Acho que antes de tudo, antes de uma licença para a expansão da Revap ou para uma plantação de eucalipto temos que ter um planejamento seguro e não como o próprio Governo Federal anda fazendo. E sim um planejamento muito bem discutido, quando se licencia algo que terá implicações em todo o Vale do Paraíba, com impacto mais próximo e direto nas pessoas do entorno e o indireto que alcança distâncias superiores a cem quilômetros. Mexendo com o rio Paraíba teremos impactos em centenas de quilômetros.

Como vê o patrocínio e o apoio financeiro para a realização dosFoto: Ricardo Ferraz eventos na Semana do Meio Ambiente joseense por parte Votorantim, da Petrobrás e de outras indústrias poluidoras?                                         – Acho que essas empresas estão funcionando de maneira irregular e não podem continuar operando. Estamos cansados de falar que o clima não muda, o que muda é o tempo. O local é inadequado para o lançamento de grandes efluentes atmosféricos. Não podemos aceitar esse tipo de indústria no Vale do Paraíba, penso que elas deveriam ser desativadas e fechadas. Assim como a matriz dos transportes deve ser mudada junto com os combustíveis, precisamos de metrôs e incentivo ao transporte coletivo. Precisamos de uma política de despoluição e não a de controle de poluição.

E todo esse passivo ambiental deixado pela Rodhia, a Kodak, a LG e outras empresas poluidoras e a prefeitura não fala nada?               – Precisamos de uma política ambiental mais efetiva. Na verdade, a prefeitura tem poder de embargo através de leis e decretos. Fora isso há as legislações estadual e federal de apoio. Quanto aos passivos ambientais a posição da prefeitura de São José é tímida. Precisamos de auditorias e a paralisação de uma série de coisas que ocorrem como o ultra dimensionamento de problemas ambientais. Temos algo pequeno e até uma omissão por parte do governo municipal. Na questão do eucalipto, por exemplo, já temos quatro processos contra no Ministério Público Estadual, Federal e já solicitamos o apoio da Defensoria Pública.

Você esteve recentemente em São Luiz do Paraitinga, como está a questão do plantio de eucalipto no município?                               Foto: Ricardo Ferraz– É um monstro, tudo sem relatório de impacto ambiental, atingindo mais de vinte por cento da área municipal quando existem limitações. Lá não poderia ser plantado nem cinco por cento. Pela mesa geográfica que fizemos na USP com vários especialistas, devido a situação de morrarias, as áreas são de preservação ambiental permanente, produtoras de água. Na maior parte dos municípios acontece o mesmo, em alguns as plantações já atingem quarenta por cento como é o caso de Santa Branca e Paraibuna. No Vale do Paraíba caminhamos para ter trinta por cento da nossa área plantada com eucalipto e pinus.

São José é o maior pólo tecnológico da América Latina, o que acha do secretário do meio ambiente?                                                  – Acho que o André Miragaia tem uma função a exercer. Vai ter que ter uma política incisiva e maior. São José tem que apresentar índices menores de poluição com políticas para diminuir ainda mais. O impacto atmosférico é muito grande e causa doenças respiratórias, principalmente no inverno, sem chuvas e com grandes calmarias.

Quais são os vetores que trazem essas doenças?                           – São as emissões dos veículos, da Revap e de outras indústrias. A prefeitura tem que propor uma política para controlar isso, o prefeito tem que chamar os fóruns necessários para que haja até cerceamento. Mas, nesse ponto, o prefeito é tímido.

Sabemos que a atmosfera de São José está comprometida por agentes químicos, pelo enxofre, chumbo, cádmio e outros produtos. Como vê o rio Paraíba e a qualidade da água servida à população?                                                                                 – Precisamos tomar conhecimento sobre o que vem ocorrendo com o rio e que as pessoas não estão sabendo. O rio Paraíba tem duas represas acima, Paraitinga e Paraibuna, depois a de Santa Branca, embaixo. Nos anos de 1999 e 2000 houve uma estiagem grande e o regime de vazão foi mexido para atender o enchimento das barragens. Temos notado que a política de vazão está errada, basta ver as réguas de medição. A vazão ente 8 e dez meses por ano fica entre 30 e 40 metros cúbicos por segundo quando deveria ficar entre 80 e 100 metros cúbicos por segundo. É algo que os prefeitos não estão vendo e a sociedade desconhece. A vazão maior foi estipulada nos relatórios de impacto ambiental e representa água para manter a flora e a fauna do rio.

O que está acontecendo é um roubo de água pelo Estado do Rio de Janeiro, o grande responsável pela política errada do Ceivap. As cabeceiras e as represas são paulistas e as nossas cidades têm prioridade, o rio também, tem que ficar oxigenado e despoluído. O Paraíba está com praticamente um quarto do que era. Qualquer pescador mais velho sabe que o rio sempre foi mais alto. Está havendo uma retenção de água durante um período e depois se solta para abastecer o Funil no verão carioca. No Rio não há um programa de contenção dos desperdícios, principalmente dos proprietários de piscinas onde muitos nem pagam pela água, uma extravagância total.

E quais as conseqüências pra o rio Paraíba? – Quando o rio fica com uma vazão entre 80 e 100 metros cúbicos por minuto se nota o aumento de peixes, diminui a poluição e deveria continuar assim. A diminuição da vazão está matando o rio com proliferação de matéria orgânica e o aumento do capim capituba e outros. Com o rio baixo, não está havendo a degradação dos lançamentos. O que nós precisamos é água para o rio Paraíba que está sendo saqueado para a manutenção da política errada de consumo do Rio de Janeiro.

E os limites de abastecimento do Paraíba?                                    – Temos que planejar isso. Não podemos incentivar que mais pessoas e empresas consumam a água de um rio que já está com um quarto de sua capacidade. Não dá para aumentar ou dobrar a população de uma cidade nessas condições. Não vai haver água num futuro próximo, dentro de 10  a 15 anos no máximo.

A Sabesp não separa os produtos químicos, fármacos e hormônios quanto trata a água do rio Paraíba, quais as conseqüências disso?  – Num primeiro momento, nos exames da água estão faltando vários parâmetros. Se os pesquisadores estão descobrindo que há uma série de produtos afetando gravemente a saúde da população, e que estão sendo lançados diretamente na água, como é o caso dos metais pesados, agentes químicos, organoclorados e hormônios e eles não estão retirados é sinal que o próprio Estado está falhando, não está considerando alguns parâmetros. É algo sério e tem que ser discutido juridicamente.

Pode mudar o biotipo das pessoas?                                               – Claro, podemos ter impactos sérios. Tanto os hormônios quantos os pesados são agentes cancerígenos e mexem com o código genético, algo perigosíssimo quando se trata de água. Tivemos problemas semelhantes na Inglaterra e outros países onde não se retiravam esses produtos e alguns homens tiveram queda de pelos, crescimento de mamas, mudança de voz e outros.

Quais as providências a serem tomadas?                                      – Num primeiro momento tem que ficar bem claro que precisam ser feitos exames comparados de várias fontes de água com análises para detecção de organoclorados, metais pesados, fármacos, hormônios e outros, em vários pontos do rio Paraíba e levar a tona essa discussão. É algo que não pode continuar. A prefeitura tem que tomar a frente e cobrar da Sabesp para que faça isso e apresente os resultados. A gestão política é da prefeitura e ela é responsável pela saúde da população. Precisamos de exames comparativos de três ou mais laboratórios idôneos, da própria Sabesp, da Fiocruz, da USP, com amostras de vários locais, acompanhamento e tomada de providências. Isso precisa ficar bem claro, é algo perigosíssimo.

Fale com Ricardo Ferraz: ricardocferraz@bol.com.br

NR- Em Penápolis, SP, o Departamento de Água e Esgoto, publica mensalmente na Internet um relatório mensal a respeito do sistema de abastecimento de água de Penápolis, conforme estabelece o Decreto Federal nº  5440/2005 – www.daep.com.br - sac@daep.com.br Responsável Legal: Lourival Rodrigues dos Santos Responsável Técnico: Rosane F. C. Dantas - Bióloga - CRBio 14.595./01-D  Órgão responsável pela vigilância da qualidade da água: Serviço de Vigilância Epidemiológica e Sanitária de Penápolis - Avenida Marginal Maria Chica, 306 // Telefone: (018)3652-7802 Atendimento ao consumidor: Estação de Tratamento de Água - Av. Adelino Peters, 217 - Fone: (018)3654-6107 ou 0800-170195 - Consulte também: Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento - http://www.assemae.org.br/        

Mais:

4Contaminação do rio Paraíba                                                                                                         4A Sabesp e o crime ambiental                                                                        4Alerta sobre a água que bebemos                                                                                        4Água ou venenoII

Ricardo Faria - ricardo@vejosaojose.com.br


Indique para um amigoImprime

topo

©vejosaojose.com.br - reprodução permitida com citação da fonte