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  27.03.2009 00h.10  
  A Câmara Municipal e o reitor                    Apesar de convocado a depor na Comissão de Educação da Câmara Municipal de São José dos Campos, SP, Baptista Gargione Filho não apareceu pela terceira vez.

Marcos Badilho (*)

 

Doença e morte de parente foram as primeiras desculpas. O reitor da Universidade do Vale do Paraíba afirma agora que só presta contas ao Ministério Público. Mesmo assim, foi convocado pelo vereador Cristóvão Gonçalves a comparecer na segunda feira, dia 30, as 15 horas.

A Comissão de Educação já escutou vários professores, alunos e funcionários da Univap e quer ouvir o reitor, sobre as graves denúncias à sua gestão na Fundação Valeparaibana de Ensino/Univap. 

Acusações semelhantes foram apresentadas à Sétima Promotoria de Justiça e Curadora das Fundações de São José dos Campos onde a titular, Ana Cristina Ioratti Chami, se pronunciou pelo arquivamento. A mesma promotora decidiu investigar, no dia 12 de março último, escutou alguns professores da Associação Nacional dos Amigos da Educação e disse estar disposta a realizar audiências públicas onde, segundo ela, proporá alterações nos estatutos da Fundação para que se evite as reeleições continuadas de Baptista Gargione Filho, além de outras providências.

Consultamos alguns advogados e as opiniões a respeito são semelhantes:

O reitor convocado pela Comissão de Educação da Câmara Municipal, pode deixar de comparecer? – “A Câmara é um órgão oficial com poder de convocar quem desejar quando entender que é do interesse público. Se o convocado não comparece arrisca-se a outras ações da edilidade.

O reitor disse que estava doente, depois alegou morte de parente e agora afirma que somente atenderá à convocação do Ministério Público, como entender isso? – Os motivos não importam, ele pode alegar o que bem entender.  Quanto a afirmar que somente atenderá ao MP é uma justificativa que a Câmara Municipal parece não ter aceito, pois, já que fez nova convocação para que compareça na segunda feira, dia 30. Pode parecer brincadeira, mas não é.

Como assim? – O reitor se engana quando imagina que pode tudo. Ignorou as três convocações oficiais e o vereador presidente da Comissão sentiu-se desrespeitado. Se isso se estender aos demais, o reitor terá comprado uma briga com a Câmara que tem o poder de até levá-lo à Justiça.

A Câmara Municipal? – Sim. Se os membros da Comissão não se derem por satisfeitos em relação aos depoimentos contra a gestão Gargione na FVE/Univap, sempre poderão acionar o Plenário que poderá aprovar uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar os fatos, a Fundação Valeparaibana de Ensino é uma instituição filantrópica de utilidade pública, sem finalidade lucrativa, política ou religiosa que recebe dinheiro do contribuinte.

E quanto ao pedido de arquivamento das denuncias por parte da promotora? – Ela pode atuar como que bem entender. Se pediu arquivamento, alguém pode, a qualquer momento, solicitar o desarquivamento.

Ela pretende audiências públicas, quer mudar os Estatutos da FVE, ela pode fazer isso? – Na defesa do interesse público, ela pode propor a realização de audiências que possibilitem discussões sobre a melhora no funcionamento da FVE. Quanto aos Estatutos, os conselheiros é que deverão decidir em reunião própria.

Qual é realmente a função da promotora? – Ela é a curadora da fundações, um membro do Ministério Público que, por efeito de lei, exerce, junto às varas cíveis e especializadas, funções específicas na defesa de certas instituições e pessoas.

O reitor pode nomear conselheiros, como vê isso? – É preciso verificar o que realmente ocorre. O Conselho deve ser independente e soberano. Se é verdade que o próprio reitor indica os conselheiros, para depois ser eleito por eles, o processo deve ser questionado.

A Fundação Valeparaibana de Ensino pode ser contratada por prefeituras sem licitação? Depende, se demonstrar notório saber e notória especialização, se aproveita brechas na Lei de Licitações que não permite terceirizações.

Existe um caso denunciado pelos jornais O Estado de São Paulo e Jornal da Tarde, nas edições de 8 de julho de 2004:"A Fundação Valeparaibana de Ensino recebeu R$ 19,2 milhões para o "desenvolvimento, projeto, implantação e certificação de tecnologia do sistema de guiagem magnética, do sistema inteligente de gestão dos terminais e paradas do sistema de monitoramento automático da frota de 15 veículos no trecho de via compreendido entre a estação de transferência do ÇParque Dom Pedro II - Terminal Sacomã do VLP" Ou seja: à fundação foi dada a tarefa de cuidar do funcionamento do Fura-Fila, projeto iniciado no governo Celso Pitta que Marta Suplicy decidiu paralizar de vez, alegando falta de recursos(sic)" Resta saber quem atestou o notório saber e a notória especialização da FVE para assumir projeto tão sofisticado. Talvez o Porfessor Doutor Marcos Tadeu Tavares Pacheco possa informar, ou ainda o Professor Landulfo Silveira. Quem sabe Antonio Teixeira Junior ou o próprio filho do reitor, Luiz Antonio Gargione.

A Fundação também assumiu a administração de duas grandes creches municipais, uma na Zona sul e a outra no Alto da Ponte, em São José dos Campos. Nesse caso, a responsabilidade pela qualificação de notório saber e notória especialização da FVE é do prefeito municipal, Eduardo Cury (PSDB).

Verdade seja dita

Baptista Gargione não é dono, trata-se apenas um professor que vem se impondo na direção da FVE/Univap há mais de trinta anos. Chegou pobre à São José dos Campos, dizem que está milionário. Manda pagar altos salários ao filho e filhas. As denúncias envolvem também o genro e auxiliares mais diretos, todos com salários milionários, morando bem e andando com carros importados. Ahed Said Amin, homem de confiança do reitor, é dos poucos com baixo salário, coisa de dois mil reais.

Enquanto dura o vai não vai - A Promotoria convocou o reitor, os membros da Comissão de Educação e do Conselho de Integração da universidade para promover discussões sobre mudanças nos estatutos da instituição. Também foram agendadas visitas aos três campi da universidade. 4Veja algumas denúncias contra a gestão Gargione na FVE/Univap

(*) Marcos Badilho - marcosbadilho@terra.com.br


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